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17 agosto 2022 12:07 pm

Acre está entre estados com alta incidência de malária gestacional, diz estudo da USP

A pesquisa contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

POR MARIA FERNANDA ARIVAL, DO CONTILNET

Última atualização em 24/07/2022 14:13

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) sobre a incidência de malária entre gestantes brasileiras e divulgado na revista Lancet Regional Health – Americas, indica que houve uma redução de, aproximadamente, metade dos casos entre 2004 e 2018. Apesar da redução, municípios do Acre se encontram entre as cidades com alta incidência de malária gestacional.

Segundo os pesquisadores, a queda nos índices se deve à ampliação da rede de diagnóstico e tratamento, bem como à inclusão, a partir de 2006, do medicamento artemisinina no esquema terapêutico. Ainda de acordo com os autores, a redução não foi maior, possivelmente, por causa da descentralização das ações públicas de combate à doença no Brasil.

“Embora existam vários estudos publicados sobre malária gestacional no país, nenhum deles apresentou um panorama geral da doença, pois foram realizados em sua maioria em locais ou regiões específicas”, diz Cláudio Romero Farias Marinho, professor do Laboratório de Imunoparasitologia Experimental do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que coordenou o trabalho, à CNN Brasil.

O grupo de pesquisadores analisou a doença durante 15 anos, com dados de 61.833 mulheres com malária gestacional no Brasil, obtidos do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária), do Ministério da Saúde. Segundo os resultados, além de municípios do Acre, cidades do Amazonas, Rondônia e Pará também apresentaram alta incidência da enfermidade em gestantes.

Doença em gestantes

As grávidas fazem parte de um dos principais grupos de risco para a doença, que é causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles. As mulheres grávidas infectadas correm mais risco de sofrer com anemia grave, parto prematuro, aborto e natimortalidade e o feto pode apresentar microcefalia ou crescimento prejudicado no útero.

Além disso, o estudo revela indícios de que o esquema de tratamento dessas pacientes pode não estar sendo feito da maneira correta, pois foi notado um percentual elevado de um medicamento contraindicado durante a gravidez, que pode provocar a destruição dos glóbulos vermelhos do sangue do feto e pode causar um aborto espontâneo. Com as informações é possível nortear o Ministério da Saúde com políticas públicas para controle da doença.

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