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9 agosto 2022 2:35 pm

Formada na Ufac, estudante realiza ‘vakinha’ para fazer mestrado em universidade pública em SP

Kauana Brito tem 22 anos e concluiu a graduação em Filosofia em 2022, na Universidade Federal do Acre

POR MARIA FERNANDA ARIVAL, PARA CONTILNET

A recém graduada em filosofia pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Kauana Brito, descobriu que havia sido aprovada no mestrado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no último dia 21 e soube que precisaria viajar para o estado paulista até dia 06 de julho para realizar a matrícula presencial, por isso, idealizou uma ‘vakinha’ para arrecadar dinheiro.

“Decidi fazer uma vaquinha porque não disponho do valor da passagem. Além disso, existem outros desafios que essa mudança irá me trazer, pois as universidades públicas não dispõem de todos os amparos que os estudantes necessitam, como deslocamento, moradia e alimentação. Assim, necessito conseguir valores monetários para que possa chegar até São Paulo e assim poder estudar”, explica Kauana.

Kauana Brito tem 22 anos e concluiu a graduação em Filosofia em 2022. Foto: Arquivo pessoal

De acordo com Kauana, o valor arrecadado na ‘vakinha’ é, inicialmente, para cobrir o valor da passagem, mas gostaria também de conseguir valores que ajudassem a estabilizar na cidade, pois não se sabe a possibilidade de receber uma bolsa de estudos.

Para contribuir com a ‘vakinha’ de Kauana, as pessoas podem doar qualquer valor através do Pix com a chave 04140773260 ou depósito Banco do Brasil, agência 8125-6, conta poupança: 16365-1, no nome de Kauana Brito Niz. Para mais informações de como contribuir, entrar em contato pelo telefone (97) 98108-4789.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Expectativas

Segundo Kauana, a expectativa com o mestrado é continuar estudando e pesquisando na área que gosta. Além disso, pretende ser professora da rede pública e inspirar novas pessoas ao conhecimento.

“Sinto que estar na filosofia é uma maneira de ocupar os espaços que não são democratizados ainda. A filosofia é uma área majoritariamente masculina. Ele é um campo historicamente dominado por homens, e isso impacta diariamente na vida de mulheres que decidem trilhar por essa área, seja como estudiosas da história da filosofia (como quero ser), ou como autênticas filósofas”, diz Kauana.

Kauana com o livro “Como nasce e morre o fascismo”, de Clara Zetkin, durante a graduação. Foto: Arquivo pessoal

Com relação a ‘vakinha’, a expectativa é conseguir o valor da passagem e sobrevivência material, como alimentação, deslocamento e moradia nas primeiras semanas que estiver em São Paulo.

“Estudar é sempre um desafio, e uma mudança para tão longe me dá um pouco de medo. Não tenho experiência com o custo de vida em São Paulo, só ouço sempre que é “altíssimo”. Também entendo  que as universidades públicas não dispõem de todos os amparos que os estudantes necessitam. Tem ainda o sentimento de ficar tão longe da família e dos meus amigos, mas essa mudança era necessária, pois não tem pós-graduação em filosofia na Ufac ainda, e a Unifesp tem um departamento maravilhoso e bem conceituado. E isso me deixa motivada a estudar”, conta Kauana. 

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