O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em despacho publicado na noite deste domingo que o dinheiro pĂșblico utilizado em programas sociais de renda bĂĄsica, como o AuxĂlio Brasil, nĂŁo estĂĄ inscrito na regra do teto de gastos. Ele tambĂ©m garantiu a legalidade de se pagar o benefĂcio atravĂ©s da abertura de crĂ©dito extraordinĂĄrio, sem necessidade de mudança constitucional. A decisĂŁo, na prĂĄtica, oferece uma saĂda para o presidente eleito Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) manter o pagamento de R$ 600 no futuro Bolsa FamĂlia mesmo sem conseguir aprovar a Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) da transição.
Aprovada no Senado, a PEC da transição, que muda o teto de gastos para garantir o pagamento de R$ 600 do AuxĂlio Brasil no ano que vem, uma promessa de campanha de Lula, estĂĄ travada na CĂąmara em meio Ă pressĂŁo do CentrĂŁo por ministĂ©rios e espaços no futuro governo. Desde o fim das eleiçÔes, o “plano B” do presidente eleito Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) para pagar o AuxĂlio Brasil Ă© a edição de crĂ©ditos extraordinĂĄrios, caso a PEC seja barrada no Congresso Nacional.
“Eventual dispĂȘndio adicional de recursos com o objetivo de custear as despesas referentes Ă manutenção, no exercĂcio de 2023, do programa AuxĂlio Brasil (ou eventual programa social que o suceda na qualidade de implemento do disposto no parĂĄgrafo Ășnico do art. 6Âș da Constituição), pode ser viabilizado pela via da abertura de crĂ©dito extraordinĂĄrio (Constituição, art. 167, §3Âș), devendo ser ressaltado que tais despesas, a teor da previsĂŁo do inciso II do §6Âș do art. 107 do ADCT nĂŁo se incluem na base de cĂĄlculo e nos limites estabelecidos no teto constitucional de gastos”, diz o despacho.
A justificativa do ministro Ă© “a garantia da proteção ao plexo de direitos que perfazem o mĂnimo existencial da população em situação de vulnerabilidade social”. Para o magistrado, hĂĄ dinheiro para pagar o benefĂcio com o espaço fiscal aberto pelas mudanças no pagamento de precatĂłrios. O despacho ainda determina que o relator do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), seja notificado da decisĂŁo para formular sua peça.
Gilmar Mendes atendeu a um pedido da Rede Sustentabilidade, partido que apoiou o presidente diplomado Lula nas eleiçÔes deste ano.

