O governo petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo já tendo passado seis meses do seu primeiro ano de mandato, ainda guarda na Esplanada dos MinistĂ©rios, em BrasĂlia, 29 cargos em ĂłrgĂŁos de Governo. SĂŁo cargos de segundo e terceiro escalĂŁo mas importantes, como diretorias, departamentos e entidades vinculadas a empresas pĂşblicas, autarquias e outros.

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NĂŁo há hoje nenhuma secretaria sem comando nos 37 ministĂ©rios. Esses postos normalmente sĂŁo ocupados por polĂticos ou nomes indicados por partidos da base do governo.
Os nĂşmeros se avolumam quando sĂŁo consideradas representações nos estados. Levantamentos da consultoria Ética InteligĂŞncia PolĂtica nĂŁo apontam detalhamento, mas se baseiam em cargos alvos de partidos do CentrĂŁo.
O MinistĂ©rio com o maior nĂşmero de cargos vagos Ă© o de Desenvolvimento e AssistĂŞncia Social, FamĂlia e Combate Ă Fome, que tem hoje quatro departamentos esperando preenchimento. O titular da pasta, o petista Wellington Dias, entrou na mira e sua substituição já Ă© aventada nos bastidores, apesar da proximidade com o presidente Lula.

O senador eleito pelo Piauà Wellington Dias (PT) e atual ministro. Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
“Esse ministĂ©rio Ă© meu”, diz Lula sobre o Desenvolvimento Social, a fim de estancar as especulações de que o ministro poderia cair na prĂłxima reforma ministerial, prevista para ocorrer apĂłs o recesso parlamentar, em agosto.Â
Na Saúde, a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) é alvo da maior cobiça. A medida provisória que extinguiu a Funasa (MP 1.156/2023) perdeu validade e, após um limbo, o órgão deverá ser erguido nos próximos dias, havendo grande expectativa sobre ele.
No comando da SaĂşde, a sociĂłloga e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) NĂsia Trindade tem sido bombardeada, mas Lula disse que nĂŁo irá tirá-la do posto. Para ele, Ă© questĂŁo de honra fazer uma gestĂŁo tĂ©cnica/cientĂfica e completamente inversa Ă de Jair Bolsonaro (PL) na área. Durante a pandemia, o ex-presidente se notabilizou por posições negacionistas e por pregar contra a vacinação da população.

BrasĂlia (DF), 05/07/2023 – Ministra NĂsia Trindade na 17ÂŞ confereĚ‚ncia nacional de saĂşde. Foto: Walterson Rosa/MS
Lula garante a NĂsia Trindade no cargo: “Ficará atĂ© quando eu quiser”. “Lula jamais tocou em cargos de segundo ou terceiro escalĂŁo”, diz NĂsia.
Por outro lado, ministérios com sede no Palácio do Planalto – como Casa Civil, Secretaria-Geral e Gabinete de Segurança Institucional (GSI) – estão totalmente preenchidos. É também o caso dos ministérios da Cultura, do Esporte, das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
Nos últimos dias, partidos do Centrão avançaram na negociação de cargos no terceiro governo Lula. A entrada do bloco formado pelas legendas Republicanos e PP já é considerada “certa” por interlocutores do Palácio do Planalto.
As conversas se intensificaram após a semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados, de 3 a 7 de julho, que levou à aprovação de pautas importantes para o Executivo, como a reforma tributária e o retorno do voto de qualidade que beneficia o governo no Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf).
As tratativas caminham no sentido de selar acordos que possam garantir mais tranquilidade a Lula em votações no restante do ano. Entre as siglas que estão de olho no Planalto, encontra-se, justamente, o Partido Progressista (PP), mesma legenda do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), o Republicanos e o União Brasil. No caso deste último, apesar de já ter indicado três ministros (Juscelino Filho, nas Comunicações, Waldez Góes, na Integração, e Celso Sabino, no Turismo), a fidelidade ainda não é completa.
Caso a adesão dos três partidos se confirme, o governo contabiliza 217 parlamentares em sua base aliada na Câmara (incluindo os votos da bancada do PT, que tem 68 deputados). O número é próximo do necessário para aprovar projetos de lei: 257 votos.
Os Ăşltimos movimentos mostram que o governo conseguiu alinhar pautas para emplacar vitĂłrias econĂ´micas antes do recesso parlamentar. Os ganhos devem ser atribuĂdos nĂŁo sĂł Ă base de Lula, que ainda está em acerto, mas tambĂ©m aos partidos de centro que acenaram ao governo.

