Em BrasĂlia, a expectativa nesta quarta-feira (1Âș), vĂ©spera do feriado nacional do Dia de Finados, fica por conta do anĂșncio do presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva para uma atuação de militares nas fronteiras do paĂs, incluindo o Acre, Estado com mais de 144,5 mil kmÂČ de ĂĄrea na faixa de fronteira com dois paĂses, o Peru e a BolĂvia.

Forças de segurança na fronteira do Brasil e Peru. Foto: Reprodução
De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂstica), o Brasil faz fronteira com praticamente todos os paĂses da AmĂ©rica do Sul â a exceção fica por conta apenas de Chile e Equador. As vias de acesso, que facilitam a integração com o contente, tambĂ©m faz com seja porta de entrada para drogas, armas e roubo de veĂculos, ligados ao narcocrime. Dois terços de toda a extensĂŁo da faixa de fronteira ficam na RegiĂŁo Norte, com destaque para os estados do Amazonas e do Acre.

Região de fronteira no Brasil. Foto: Reprodução
Ă neste sentido que Lula deve acionar o ExĂ©rcito para operação de controle das fronteiras para evitar entrada de drogas no paĂs. Mas hĂĄ preocupaçÔes tambĂ©m com o restante do territĂłrio nacional Entre os focos estĂĄ o lago da usina hidrelĂ©trica binacional de Itaipu, na fornteira com o Paraguai. TambĂ©m haverĂĄ reforço em portos e aeroportos, especialmente no Rio de Janeiro, e atuação da PolĂcia Federal na ĂĄrea de inteligĂȘncia.
Por decisĂŁo de Lula, estĂĄ descartada no paĂs qualquer tipo de intervenção federal ou GLO. Mas deve ser feito algo na linha da Operação Ăgata, na fronteiro norte do paĂs, em Roraima, neste ano. Na ocasiĂŁo, o governo federal promoveu uma ação interagĂȘncias coordenada entre ĂłrgĂŁos de segurança pĂșblica, agĂȘncias e Forças Armadas para combater o garimpo ilegal na Terra IndĂgena Yanomami.
O Acre Ă© o Estado do paĂs em que os 22 municĂpios estĂŁo dentro da faixa de fronteira, sob legislação especĂfica para ĂĄreas de segurança nacional pela lei N° 6.634 /1979, regulamentada em 1980. Das cidades do estado, 16 tĂȘm 100% do territĂłrio dentro da faixa.
O fato dessas cidades estarem na faixa de fronteira possibilita que o estado receba auxĂlios financeiros especĂficos por parte do governo federal e impede, sem prĂ©via autorização, a concessĂŁo de terras pĂșblicas ou a construção de pontes, estradas e aeroportos, bem como a instalação de empresas de mineração, por exemplo.
O secretĂĄrio de Segurança PĂșblica do Acre, coronel JosĂ© AmĂ©rico Gaia, diz que essas ĂĄreas tĂȘm sido fortalecidas com a presença policial e tambĂ©m com termos de cooperação entre as polĂcias, que tem dado um resultado positivo com relação aos crimes transfronteiriços. O coronel cita que uma das medidas para conter o crime nessas ĂĄreas foi a criação do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), atuante desde 2019.
âAmpliação da fiscalização, por meio do Gefron, que exclusivamente trabalha nesse combate aos crimes de fronteira, com a criação dos nĂșcleos integrados de inteligĂȘncia nas cinco regionais de segurança pĂșblica no interior, que sĂŁo destinadas a produção do conhecimento para a atuação no combate aos crimes de fronteira e com as unidades por meio de um programa veiculado ao MinistĂ©rio da Justiça, atravĂ©s da secretaria de operaçÔes extraordinĂĄriasâ, disse Gaia.
O secretĂĄrio disse ainda que um programa, chamado Vigia, possibilita que a Segurança estude e demande ainda açÔes semanais na faixa de fronteira do Estado.âSĂŁo açÔes com pagamentos de diĂĄrias pela UniĂŁo. AlĂ©m do Gefron, temos outros policiais, civil e militares, que na folga podem atuar na faixa de fronteira com pagamentos de diĂĄrias feitos pela UniĂŁoâ, pontua.

