PF diz que Bolsonaro, ex-ministros e militares se dividiram em seis nĂșcleos para tentar golpe de Estado

Segundo relatĂłrio de investigação, grupos tinham funçÔes distintas na preparação da tentativa de golpe. Veja como atuavam e quem integrava cada nĂșcleo, de acordo com a PF

Por G1 08/02/2024 Ă s 11:51

O relatĂłrio da PolĂ­cia Federal que embasou a operação desta quinta-feira (8) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ex-ministros do governo dele e militares, afirma que o grupo agia em seis nĂșcleos para organizar uma tentativa de golpe de Estado (veja detalhes abaixo).

Ao todo, foram expedidos 33 mandados de busca e apreensĂŁo e quatro mandados de prisĂŁo preventiva. HĂĄ ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos pĂșblicos.

Segundo a investigação, o grupo se dividia da seguinte forma:

Entenda os nĂșcleos

  • NĂșcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral:

A investigação afirma que o grupo seria responsåvel pela produção, divulgação e amplificação de notícias falsas quanto à lisura das eleiçÔes presidenciais de 2022.

A PF afirma que o objetivo era estimular seguidores a permanecerem na frente de quarteis e instalaçÔes das Forças Armadas, no intuito de criar o ambiente propício para o Golpe de Estado.

Integrantes, segundo a PF: Mauro César Barbosa Cid, Anderson Torres, Angelo Martins Denicoli, Fernando Cerimedo, Eder Lindsay Magalhães Balbino, Hélio Ferreira Lima, Guilherme Marques Almeida, Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros e Tércio Arnaud Tomaz.

  • NĂșcleo responsĂĄvel por incitar militares a aderirem ao golpe de Estado:

De acordo com a PF, o grupo escolhia alvos para amplificar ataques pessoais contra militares em posição de comando que resistiam às investigadas golpistas.

O relatĂłrio afirma que os ataques eram realizados a partir da difusĂŁo em mĂșltiplos canais, e atravĂ©s de influenciadores em posição de autoridade perante a “audiĂȘncia” militar.

Integrantes, segundo a PF: Walter Souza Braga Netto, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, Ailton Gonçalves Moraes Barros, Bernardo RomĂŁo CorrĂȘa Netto e Mauro Cesar Barbosa Cid.

  • NĂșcleo jurĂ­dico:

As investigaçÔes afirmam que o grupo era responsåvel por fundamentar juridicamente e elaborar minutas de decretos que atendessem aos interesses golpistas do grupo investigado.

Integrantes, segundo a PF: Filipe Garcia Martins Pereira, Anderson Gustavo Torres, Amauri Feres Saad, José Eduardo de Oliveira e Silva e Mauro César Barbosa Cid.

  • NĂșcleo operacional de apoio Ă s açÔes golpistas:

Segundo a PF, a partir da coordenação e interlocução com o entĂŁo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro Mauro Cid, esse nĂșcleo atuava em reuniĂ”es de planejamento e execução de medidas para manter as manifestaçÔes em frente aos quarteis, incluindo a mobilização, logĂ­stica e financiamento de militares das Forças Especiais em BrasĂ­lia.

Integrantes, segundo a PF: Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros, Bernardo RomĂŁo CorrĂȘa Netto, HĂ©lio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Alex de AraĂșjo Rodrigues e Cleverson Ney MagalhĂŁes.

  • NĂșcleo de inteligĂȘncia paralela:

A PF diz que esse nĂșcleo coletava dados e informaçÔes que pudessem auxiliar a tomada de decisĂ”es do entĂŁo presidente Jair Bolsonaro na consumação do Golpe de Estado.

Entre as medidas realizadas, segundo a investigação, estava o monitoramento do itinerĂĄrio, deslocamento e localização do ministro do STF Alexandre de Moraes, e de possĂ­veis outras autoridades da RepĂșblica, com objetivo de capturĂĄ-los e prendĂȘ-los quando da assinatura do decreto de golpe de Estado.

Integrantes, segundo a PF: Augusto Heleno, Marcelo Costa Cùmara e Mauro César Barbosa Cid.

  • NĂșcleo de oficiais de alta patente com influĂȘncia e apoio a outros nĂșcleos:

O relatĂłrio da PF afirma que o grupo usava da alta patente militar de seus integrantes para influenciar e incitar apoio aos demais nĂșcleos de atuação, endossando medidas para consumação do golpe de Estado.

Integrantes, segundo a PF: Walter Souza Braga Netto, Almir Garnier Santos, Mario Fernandes, Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira, Laércio Vergílio e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Operação da PF

A operação desta quinta foi chamada pela PolĂ­cia Federal de “Tempus Veritatis” – “hora da verdade”, em latim.

A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Na decisão, ele determinou a entrega do passaporte de Bolsonaro e o proibiu de manter contato com outros investigados.

Foram presos nesta manhĂŁ:

  • Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
  • Marcelo CĂąmara, coronel da reserva do ExĂ©rcito citado em investigaçÔes como a dos presentes oficiais vendidos pela gestĂŁo Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartĂ”es de vacina da famĂ­lia Bolsonaro;
  • Rafael Martins, major das Forças Especiais do ExĂ©rcito.

O coronel do ExĂ©rcito Bernardo RomĂŁo CorrĂȘa Netto, alvo do quarto mandado, nĂŁo foi detido porque estĂĄ nos Estados Unidos. O mandado de prisĂŁo serĂĄ enviado ao ExĂ©rcito para que notifique o militar.

Os mandados de busca e apreensĂŁo atingem:

  1. Valdemar Costa Neto, presidente do PL – partido pelo qual Bolsonaro disputou a reeleição;
  2. Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
  3. Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  4. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança PĂșblica;
  5. general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
  6. almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha;
  7. general Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de OperaçÔes Terrestres do Exército;
  8. TĂ©rcio Arnaud Thomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado “gabinete do Ăłdio”;
  9. Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
  10. Marcelo Cùmara, coronel do Exército citado em investigaçÔes como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartÔes de vacina da família Bolsonaro;
  11. Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército.
  12. Bernardo RomĂŁo CorrĂȘa Netto, coronel do ExĂ©rcito;
  13. Ailton Gonçalves Moraes Barros, capitão reformado do Exército expulso após puniçÔes disciplinares;
  14. Amauri Feres Saad, advogado citado na CPI dos Atos Golpistas como “mentor intelectual” da minuta do golpe encontrada com Anderson Torres;
  15. Angelo Martins Denicoli, major da reserva do ExĂ©rcito que chegou a ocupar cargo de direção no MinistĂ©rio da SaĂșde na gestĂŁo Eduardo Pazuello;
  16. Cleverson Ney Magalhães, coronel do Exército e ex-oficial do Comando de OperaçÔes Terrestres;
  17. Eder Lindsay MagalhĂŁes Balbino, empresĂĄrio que teria ajudado a montar falso dossiĂȘ apontando fraude nas urnas eletrĂŽnicas;
  18. Guilherme Marques Almeida, coronel do Exército e ex-oficial do Comando de OperaçÔes Terrestres;
  19. Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército identificado em trocas de mensagens com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Barbosa Cid;
  20. José Eduardo de Oliveira e Silva, padre da diocese de Osasco;
  21. Laércio Virgílio;
  22. Mario Fernandes, comandante que ocupou cargos na Secretaria-Geral e era tido como homem de confiança de Bolsonaro;
  23. Ronald Ferreira de AraĂșjo JĂșnior, oficial do ExĂ©rcito;
  24. Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros, major do Exército.

Segundo a PF, mandados foram cumpridos em Amazonas, Rio de Janeiro, SĂŁo Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, CearĂĄ, EspĂ­rito Santo, ParanĂĄ, GoiĂĄs e Distrito Federal.

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