13 de abril de 2024

Marcadores encontrados na urina podem ajudar no diagnóstico do autismo

Cientistas do Instituto Butantan identificaram biomarcadores que poderão ajudar a diagnosticar o transtorno do espectro do autismo (TEA)

Biomarcadores encontrados em amostras de urina de pessoas com transtorno do espectro do autismo (TEA) podem auxiliar no desenvolvimento de métodos complementares de diagnóstico e acompanhamento do quadro. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto Butantan.

Em um artigo publicado no Biomarkers Journal, em abril de 2023, os cientistas registraram diferenças encontradas na concentração total de proteínas e aminoácidos presentes na urina de indivíduos com autismo e de pessoas sem o transtorno.

Diferentes abordagens têm sido estudadas para facilitar o diagnóstico do autismo e para entender a evolução dos pacientes.

De acordo com os autores do estudo, liderado pela pesquisadora Nádia Isaac da Silva, uma das vantagens de trabalhar com biomarcadores na urina é a facilidade da coleta, que pode ser feita em casa pelos próprios pais ou indivíduos.

Alterações na urina de pessoas com autismo

Os cientistas analisaram amostras de 44 crianças com idades entre 3 e 10 anos. Vinte e duas delas tinham o diagnóstico de transtorno do espectro do autismo e as demais, 22 crianças, eram neurotípicas.

Os testes apontaram alterações nas quantidades dos aminoácidos arginina, glicina, leucina, treonina, ácido aspártico, alanina, histidina e tirosina na urina das crianças com autismo. De acordo com os pesquisadores, os níveis diferenciados podem estar relacionados a sinais observados em pessoas com TEA.

Por exemplo, durante a formação do feto ou no período pós-natal, quando os receptores de neurotransmissores estão em desenvolvimento, o desequilíbrio de aminoácidos pode tornar o cérebro vulnerável à superestimulação. Outra hipótese é que as alterações levem ao desenvolvimento de comorbidades, como transtornos gastrointestinais.

De acordo com o pesquisador Ivo Lebrun, do Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Butantan, o desequilíbrio da microbiota intestinal é uma característica recorrente nos pacientes com autismo, que leva à inflamação do sistema digestivo. Isso faz com que alguns alimentos, como derivados do leite e produtos com glúten, em geral, não sejam bem tolerados por eles.

“O autismo é um espectro de alta complexidade, influenciado por vários fatores. Da mesma forma, o seu acompanhamento deve ser multidisciplinar: terapias comportamentais, psicoterapia e nutrição, por exemplo, são práticas que visam a melhoria e controle do quadro”, afirmou o pesquisador, em comunicado à imprensa. (Com informações da Agência Fapesp)

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