Caso Gessica: inquérito é concluído e PMs são indiciados por homicídio, podendo perder a farda

Gessica Melo, 32 anos, que foi atingida por dois disparos por agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) na BR-317, em Capixaba

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 18/06/2024 Atualizado: hĂĄ 2 anos

O ContilNet teve acesso com exclusividade ao inquérito, concluído nesta terça-feira (17), do caso da morte da enfermeira Gessica Melo, 32 anos, que foi atingida por dois disparos por agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) na BR-317, em Capixaba, no final de 2023.

No inquĂ©rito, os policiais Cleonizio Marques Vilas Boas e Gleyson Costa de Souza sĂŁo indiciados pelos crimes de homicĂ­dio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vĂ­tima e por motivo fĂștil, em suas formas consumada e tentada, alĂ©m de fraude processual.

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gessica

Ao ContilNet, o advogado de GĂ©ssica, Walisson dos Reis Pereira, explicou que os policiais foram indiciados pelos crimes e que o prĂłximo passo serĂĄ a denĂșncia. “Vamos requerer novamente a prisĂŁo deles e cobrar uma posição da Corregedoria para que eles sejam excluĂ­dos da corporação. Eles foram indiciados por homicĂ­dio qualificado com recurso que impossibilitou a defesa da vĂ­tima e por motivo fĂștil, pelo senhor Cleonizio, e tambĂ©m pelo sr. Gleyson, com fraude processual, porque os dois sabiam que ela nĂŁo estava armada, mas para dar um ar de legalidade Ă  covardia que eles fizeram, eles plantaram aquela arma para poder atribuir a ela a responsabilidade daquele armamento”, explicou a defesa.

Segundo o advogado, ficou comprovado que a arma havia sido plantada pelos policiais. No laudo, divulgado pelo ContilNet em março de 2024, a perĂ­cia identificou que na arma encontrada com Gessica no local do acidente, nĂŁo havia DNA da enfermeira. “NEGATIVO para traço de DNA recente compatĂ­vel com o DNA de GĂ©ssica Melo de Oliveira, sendo desta feita POSITIVO para a presença de traços genĂ©ticos MASCULINOS, na estrutura da arma, carregador e muniçÔes”, diz trecho do laudo.

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laudo carro

Além disso, no laudo, a perícia detectou que não hå a presença de ålcool ou drogas nas amostras colhidas. De acordo com o laudo, foi constatado apenas a presença de medicamentos antidepressivos, tese defendida pela defesa da enfermeira desde a abertura do inquérito.

“Queremos que eles sejam condenados”

A defesa afirmou ainda que embora a conclusĂŁo do inquĂ©rito tenha demorado, estĂĄ satisfeita. “A gente estĂĄ satisfeito com a conclusĂŁo e agora vamos reunir com o MinistĂ©rio PĂșblico para elaborar a denĂșncia e pedir novamente a prisĂŁo preventiva desses policiais, pois eles usaram todo o aparato da PolĂ­cia Militar como viatura, munição e arma para metralhar o carro de uma mulher e ainda chamaram o 190 alegando que era um acidente de trĂąnsito, o que torna a conduta ainda mais grave”, explicou.

Walisson dos reis pereira caso gessica

Walisson dos Reis Pereira Ă© o advogado da famĂ­lia/Foto: Cedida

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Nas investigaçÔes, a equipe tĂ©cnica apontou que o carro em que GĂ©ssica dirigia foi atingido por 13 tiros, todos disparados de fora para dentro do veĂ­culo. No laudo pericial, o exame necroscĂłpico obteve a conclusĂŁo de que o Ăłbito foi decorrente de choque hipovolĂȘmico, devido a lesĂ”es causadas por projĂ©til de arma de fogo.

AlĂ©m da denĂșncia e requerimento da prisĂŁo dos policiais, a defesa deve ainda entrar com uma ação de indenização para que a famĂ­lia seja reparada na forma da lei com um valor justo.

perseguicao morta

O acidente aconteceu na BR-317/Foto: ContilNet

Relembre

Géssica teve um pulmão e o estÎmago atingidos por dois tiros. Os sargentos da Polícia Militar, Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas, envolvidos no caso, foram presos no dia 2 de dezembro.

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Mais de 20 pessoas, entre parentes, policiais e outros envolvidos foram ouvidas na investigação. Foram solicitadas, ainda, perícias e oitivas.

Ainda em dezembro, os sargentos tiveram um pedido de soltura negado. Os dois seguem presos no BatalhĂŁo Ambiental, em Rio Branco. O julgamento deve acontecer entre o final de janeiro e inĂ­cio de fevereiro.

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