Com trĂȘs greves, casos de assĂ©dio e falsidade ideolĂłgica, Ufac vive ‘momento delicado’

Os limites da universidade pegaram fogo nestas Ășltimas semanas

Por Victor Manoel, ContilNet 02/06/2024 Atualizado: hĂĄ 2 anos

A Universidade Federal do Acre (Ufac) passa por um perĂ­odo conturbado. Nos Ășltimos meses, uma sequĂȘncia de eventos colocaram o nome da universidade em destaque na mĂ­dia acreana. Primeiro, uma greve dos tĂ©cnicos, alĂ©m de uma greve de professores por reajuste salarial, que rendeu tambĂ©m uma greve estudantil – a primeira desde a dĂ©cada de 80. 

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Manifestação conjunta de estudantes, técnicos e professores/Foto: Adufac

Se não fosse o bastante, houve uma ocupação de manifestantes na sede do DCE, um caso de assédio que resultou na exoneração de um professor e expulsão de um aluno, e ainda, a professora que foi acusada de falsidade ideológica, que gerou grande repercussão. 

O ContilNet explorou, na Ășltima sexta-feira (31), as opiniĂ”es e as complicaçÔes que a instituição de ensino estĂĄ metida nos Ășltimos meses.

Greves

A primeira classe da Ufac a entrar em greve foi a dos tĂ©cnicos. A paralisação dos servidores da Universidade Federal do Acre (UFAC), que jĂĄ dura 80 dias, continua por tempo indeterminado, mesmo com os tĂ©cnicos aceitando a proposta do governo federal para reajustes nos auxĂ­lios alimentação, creche e saĂșde.

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A Ufac, comprometida com o respeito e a integridade de seus membros, reafirma seu repĂșdio a qualquer forma de assĂ©dio/Foto: Reprodução

Desde o início da greve, foram apresentadas duas propostas de reajuste salarial para os Técnicos Administrativos em Educação (TAE).

Após isso, foi a vez dos docentes. Eles permanecem firmes, seguindo os sindicatos de professores das universidades federais. Assim como em outras instituiçÔes federais de ensino superior, a recusa à proposta do governo federal foi unùnime. 

O reajuste proposto para 2025 e 2026 não atende às demandas dos servidores, que buscam não apenas a recomposição salarial, mas também a valorização da carreira docente.

Por fim, os estudantes aderiram também ao movimento grevista no dia 20 de maio. Essa é a segunda greve geral estudantil desde 1984 na universidade. A publicação da decisão foi feita pela Associação de Docentes da Ufac (Adufac), que celebrou a adesão.

A decisĂŁo gerou polĂȘmica entre a prĂłpria comunidade acadĂȘmica, gerando insatisfação em alguns estudantes que nĂŁo se sentiram representados.

Ocupação, assédio e falsidade ideológica

Os docentes e estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) realizaram um protesto na reitoria da instituição na sexta-feira (17), em Rio Branco, cobrando celeridade nos casos de denĂșncia de abuso sexual.

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A decisĂŁo da greve estudantil gerou polĂȘmica entre a prĂłpria comunidade acadĂȘmica/ Foto: Adufac

Entre os casos que vieram a pĂșblico nos Ășltimos tempos estĂĄ o de um professor do ColĂ©gio Aplicação, que nĂŁo teve o nome revelado, e do discente AlĂ­cio Lopes de Souza, que Ă© acusado de suposta prĂĄtica de assĂ©dio no campus da universidade.

Sem contar que, o DiretĂłrio Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Acre (Ufac) foi ocupado por estudantes pertencentes a movimentos populares no inĂ­cio do mĂȘs de maio. 

Com opiniÔes massivamente contrårias nas redes sociais, os militantes alegam a legitimidade do movimento, enquanto os eleitos para comandar o diretório afirmam os possíveis prejuízos da ação.

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“Vivemos um movimento delicado”, declara estudante/Foto: Cedida

O movimento seguiu a linha da greve dos professores e servidores pĂșblicos, reivindicando a abertura do Restaurante UniversitĂĄrio (RU) e outros serviços para os estudantes da Ufac. 

Por fim, a professora Larissa Vanessa Machado Viana é investigada por supostamente ter falsificado documentos para ingressar no curso de medicina na Universidade Federal do Acre (Ufac). 

O caso trata-se de falsidade ideológica, segundo os documentos levantados pelo G1, a professora estaria cursando medicina na Universidade Eståcio de Så, e assim tentou ingressar no mesmo curso, através das vagas residuais da Ufac.

Além disso, nas documentaçÔes internas da instituição, ela havia informado que não possui vínculo com a Ufac, mesmo que fosse professora da universidade federal. 

Movimentação

“Greve aprovada, com início no dia 2 de maio, por tempo indeterminado”, disse a presidente da ADufac, Letícia Mamed, quando a greve iniciou.

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Servidores fazem manifestação em frente a Aleac/Foto: ContilNet

“Vivemos um momento delicado. Como estudante, percebo que nĂłs sempre fomos considerados um dos pilares da universidade, talvez atĂ© o principal. Apesar dessa visĂŁo, nunca tivemos um espaço de decisĂŁo ou negociação direto dentro da instituição”, afirma o estudante Diogo JosĂ©, de jornalismo.

Entre os motivos para a paralisação estão as perdas salariais, a não revogação de medidas adotadas ainda no Governo Bolsonaro (como a Reforma Administrativa, por exemplo), orçamento considerado insuficiente para as instituiçÔes, falta de avanços na reestruturação de carreira e outras questÔes.

“Na manhĂŁ de hoje, 18, os estudantes da Ufac reuniram-se no  Anfiteatro Garibaldi Brasil para deliberar sobre a greve dos estudantes da Ufac por melhores condiçÔes de estudo. A mobilização reforça a luta em defesa da educação pĂșblica de qualidade e se junta aos docentes e tĂ©cnicos que jĂĄ estĂŁo em greve”, diz a publicação sobre a greve estudantil.

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Estudantes organizam sarau durante movimento grevista/Foto: Reprodução

Para Diogo, o mĂĄximo que havia era o Consu – Conselho UniversitĂĄrio – ou o DCE. Que, ao longo dos anos, acabou se alinhando mais com os interesses da reitoria do que com os dos prĂłprios estudantes, segundo o entrevistado.

“Atualmente, enfrentamos diversos problemas estruturais e sociais, tanto de acesso Ă  universidade quanto de permanĂȘncia, e a greve estudantil surge como uma solução para garantir nossos direitos”, acrescentou o estudante.

Em meio a reivindicaçÔes, atos em busca de melhoria e tensÔes internas, Diogo José reflete sobre a importùncia destas reviravoltas que a Ufac estå proporcionando para técnicos, professores e estudantes:

“AlĂ©m disso, considero de extrema importĂąncia a uniĂŁo com os tĂ©cnicos e professores, pois a junção de pautas em comum fortalece o movimento”, finaliza.

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