Vítima de golpe de Nego Di iria pagar tratamento médico com dinheiro

Vítima de golpe de Nego Di iria pagar tratamento médico com dinheiro

Por Correio Braziliense 17/07/2024

ApĂłs o humorista Nego Di ser preso pela polĂ­cia civil do Rio Grande do Sul acusado de estelionato por vender produtos na internet e nĂŁo realizar as entregas, vĂ­timas relatam prejuĂ­zos financeiros e emocionais. Em entrevista ao Correio, uma vĂ­tima que preferiu nĂŁo ser identificada, relatou que tudo começou em março de 2022, quando viu um um anĂșncio na rede social de Nego Di referente a aparelhos de ar-condicionado. “Aparentava ser uma pessoa de confiança, que nĂŁo tinha envolvimento com algo duvidoso, inclusive foi funcionĂĄrio de uma grande emissora no RS afiliada Ă  Globo nacional, transpareceu ser confiĂĄvel”, iniciou a vĂ­tima.

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Nego Di – (crĂ©dito: Reprodução/Instagram)

“Vi um potencial de negĂłcio, pois necessitava de dinheiro para pagar um tratamento mĂ©dico e revenderia os aparelhos de ar-condicionado para alguns instaladores locais”, explicou o empreendedor. “ApĂłs contatar esses instaladores e garantir que comprariam de mim, decidi que nĂŁo tinha ambição de lucrar altos valores com a compra e venda, mas apenas arrecadar fundos para o tratamento mĂ©dico.”

Com essa garantia em mente, ele fez um emprĂ©stimo bancĂĄrio para comprar Ă  vista os aparelhos de ar-condicionado, uma vez que o pagamento era somente Ă  vista no boleto ou pix. “Fiz a compra de 33 aparelhos, desembolsando um dinheiro emprestado no valor de quase R$ 30 mil”, relatou.

Segundo a vĂ­tima, a situação começou a ficar preocupante apĂłs os prazos de entrega estarem esgotados e um funcionĂĄrio da empresa que se identificava como Anderson começar a dar desculpas diferentes em relação a entrega toda vez que era contatado. “Fornecedor atrasado, empresa de transportes quebrou contrato, etc. PorĂ©m, o Nego Di voltava Ă  sua rede social e pedia que tivĂ©ssemos tranquilidade, que nĂŁo era golpe, que a loja era dele e que podĂ­amos confiar”, explicou a vĂ­tima do golpe.

Com novos prazos estourados, as vĂ­timas começaram a se reunir para organizar protestos e pressionar o Nego Di para entrega dos produtos e/ou dar o estorno da compra. “Ele sumiu por um tempo e depois apareceu dizendo que foi vĂ­tima de golpe tambĂ©m, mas que ressarciria as pessoas para nĂŁo deixar ninguĂ©m ‘na mĂŁo’ e nĂŁo prejudicar as pessoas. Ele ressarciu algumas pessoas, valores pequenos, os mais barulhentos, que estavam liderando protestos, para tentar calar o povo e acalmar as coisas”, continuou.

VĂ­tima pensou em se matar apĂłs o golpe

A vĂ­tima descreveu o impacto pessoal do golpe: “Eu jĂĄ estava em um nĂ­vel de depressĂŁo grande, com a dĂ­vida do emprĂ©stimo jĂĄ vencida e sem saber o que fazer. Desempregado e com a famĂ­lia dependendo de mim, planejei meu suicĂ­dio, pois pensava que assim poderia resolver esse problema. No entanto, fui amparado pela minha famĂ­lia e amigos para nĂŁo proceder dessa forma.”

“Minha histĂłria chegou ao Nego Di, que me contatou via WhatsApp, prometendo meu reembolso, e que o tal Anderson faria o pagamento. Falei com o Anderson e ele me enrolou por mais e mais tempo… e nunca mais recuperei meu dinheiro, muito menos os produtos. Obviamente, jĂĄ tinha feito um BO na polĂ­cia e estava na expectativa de o caso ser investigado e chegar a um desfecho”, explicou a vĂ­tima.

“Me indignava muito ver o Nego Di viajando para o exterior, como Europa, Punta Cana e outros destinos no Brasil, esbanjando e gastando o dinheiro do golpe que ele deu. Comprando carros de luxo, alugando mansĂ”es para morar, vivendo a vida como se nada tivesse acontecido. Mas a justiça de Deus nĂŁo falha.”

“Com o tempo, me recuperei fĂ­sica, mental e psicologicamente, mas o buraco financeiro ainda nĂŁo foi superado. Fiquei muito grato pela prisĂŁo do Nego Di e tenho a esperança de que ele ficarĂĄ preso e pagarĂĄ pelos seus atos! E espero reaver meu dinheiro com os bens apreendidos e contas bloqueadas”, concluiu.

Entenda o caso 

Segundo o advogado criminalista Mateus Marques, responsåvel por apresentar a notícia crime que deu início à instauração do inquérito de investigação, as investigaçÔes apontaram que, através das vendas ilícitas, pode haver mais de 370 vítimas.

“No perĂ­odo de junho e julho do ano passado, vĂĄrias pessoas começaram a perceber que suas compras nĂŁo estavam chegando. Isso levantou suspeitas de que poderia se tratar de um golpe. Produzimos uma notĂ­cia-crime e a apresentamos Ă s autoridades. A polĂ­cia entĂŁo instaurou um inquĂ©rito e iniciou a identificação dos envolvidos”, disse Mateus.

As denĂșncias variam desde a compra de celulares que nunca foram entregues atĂ© casos mais graves, como o da vĂ­tima que falou ao Correio, que estava em tratamento mĂ©dico e comprou aparelhos de ar-condicionado com suas Ășltimas economias, no valor de 30 mil reais, mas tambĂ©m nĂŁo recebeu os produtos.

“A polícia está acessando os autos para verificar se algum objeto foi apreendido que possa ser utilizado para ressarcir as perdas dessas pessoas”, pontuou o advogado responsável pela defesa de 9 das 370 vítimas.

No que diz respeito Ă  pena, um caso de estelionato pode variar de 1 a 3 anos, mas o advogado explica que, no entanto, nĂŁo hĂĄ uma pena definida, jĂĄ que a gravidade pode ser influenciada por diversos fatores. “O fato de Nego Di ser uma pessoa influente e usar sua posição para agir de mĂĄ fĂ© pode aumentar a pena. AlĂ©m disso, o uso de sua função para enganar os outros Ă© um agravante significativo no caso”, explicou.

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