Além das lesÔes que a mpox causa na pele, a doença também pode atingir as mucosas, gerando complicaçÔes graves e dolorosas. Entre elas, existe a possibilidade de a doença atingir os olhos, levando à perda da visão.
A evolução sem controle da doença produz danos na superfĂcie conjuntiva. Os olhos costumam ser afetados pela progressĂŁo quando a doença se espalha na pele do rosto ou quando os pacientes coçam as feridas e, em seguida, colocam as mĂŁos nos olhos.
Caso o vĂrus da mpox alcance os olhos, as partes mais afetadas sĂŁo as pĂĄlpebras e a superfĂcie ocular. Uma vez que ocorre a contaminação, o vĂrus encontra um ambiente propĂcio para se proliferar e se manter ativo, segundo alertam os oftalmologistas.

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âNa pele, o desfecho mais comum da mpox Ă© que as lesĂ”es apareçam e, em um prazo de duas a quatro semanas, elas sejam controladas. Nos olhos, os estudos realizados durante a primeira onda da doença, em 2022, indicaram que os vĂrus podem ficar ativos por mais de quatro meses, causando nĂŁo sĂł as lesĂ”es, mas mantendo tambĂ©m a transmissibilidadeâ, aponta a oftalmologista Luciana Peixoto Finamor, da ClĂnica de Olhos Moacir Cunha, do Grupo Fleury, em SĂŁo Paulo.
Ela Ă© autora lĂder de um estudo publicado em junho no International Journal of Infectious Diseases sobre as consequĂȘncias oculares da mpox. A pesquisa se dedicou a estudar os casos de cinco pacientes paulistanos que tiveram mpox no surto de 2022.
Os cinco tiveram ceratite, uma inflamação aguda da cĂłrnea por pelo menos dois meses. Em trĂȘs casos, as lesĂ”es afetaram a parte interna dos olhos. Os sintomas sĂł foram controlados com o uso do anti-viral tecovirimat, que foi usado de forma experimental durante o surto.
Como a mpox afeta os olhos?
De acordo com as informaçÔes produzidas no primeiro surto, um a cada dez infectados tem sintomas oculares. A infecção nos olhos surge apenas em pacientes com quadro especialmente agudo. Os sinais aparecem quando a doença jå aparenta estar mais controlada no corpo, com as lesÔes da pele mais cicatrizadas.
Os pacientes afetados ficam com os olhos irritados, tĂȘm febre, dor ocular e sensibilidade Ă luz. Alguns podem ter apenas uma irritação inespecĂfica, como uma conjuntivite viral. No entanto, caso a cĂłrnea seja atingida, quando a ferida se torna mais profunda, hĂĄ uma sensação de ardĂȘncia e de aspereza constantes, como se houvesse areia na regiĂŁo.
Assim como nas lesÔes da pele, o olho afetado costuma se recuperar sozinho. No entanto, a cicatrização do tecido ocular aumenta a espessura do revestimento dos olhos, o que leva a um maior risco de comprometimento da visão.
