Indiciado por tentativa de golpe, Braga Netto diz que foi um dos poucos que manteve lealdade a Bolsonaro

Ex-ministro e ex-presidente foram indiciados pela PolĂ­cia Federal nesta semana. Plano para manter Bolsonaro no poder envolvia assassinar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, segundo a PF

Por O Globo 23/11/2024 Ă s 11:15

O general Braga Netto, ministro (Casa Civil e Defesa) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou neste såbado por meio de sua defesa jurídica que foi um dos poucos que se manteve leal ao lado do ex-chefe. Bolsonaro, Braga Netto e outros 35 homens, a maioria militares, foram indiciados pela Polícia Federal nesta semana por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democråtico de direito e organização criminosa.

Indiciado por tentativa de golpe, Braga Netto diz que foi um dos poucos que manteve lealdade a Bolsonaro

Bolsonaro e o ex-ministro Braga Netto 18/02/2020 — Foto: Pablo Jacob

“Durante o governo passado [Braga Netto] foi um dos pouco, entre civis e militares, que manteve a lealdade ao Presidente Bolsonaro atĂ© o final do governo, em dezembro de 2022, e a mantĂ©m atĂ© os dias atuais, por crença nos mesmos valores e princĂ­pios inegociĂĄveis”, escreveu a defesa em uma nota publicada nas redes sociais de Braga Netto.

A nota ressalta ainda que o militar “sempre primou pela correção Ă©tica e moral na busca de soluçÔes legais e constitucionais”.

“A defesa do general Braga Netto acredita que a observĂąncia dos ritos do devido processo legal elucidarĂŁo a verdade dos fatos e a responsabilidades de cada entende envolvido nos referidos inquĂ©ritos, por sujas açÔes e omissĂ”es”. O ex-ministro escreveu, junto com a nota, que “nunca se tratou de golpe e muito menos de plano de assassinar alguĂ©m”.

Segundo investigação da PF, o plano de tomar o poder e manter Bolsonaro na presidĂȘncia envolvia matar o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2022.

Ex-ministro e candidato a vice na chapa Ă  reeleição de Bolsonaro teria atuado na incitação contra membros das Forças Armadas que nĂŁo aderiram Ă  tentativa de golpe, conforme apuração da PF. Mensagens mostram que ele ordenou crĂ­ticas aos entĂŁo comandantes do ExĂ©rcito, Marco AntĂŽnio Freire Gomes, e da AeronĂĄutica, Carlos de Almeida Baptista JĂșnior.

AlĂ©m disso, a casa de Braga Netto foi usada para reuniĂŁo no dia 12 de novembro de 2022 na qual, segundo a PF, foi discutido o plano para matar Lula, Alckmin e Moraes. De acordo com a investigação, o monitoramento do ministro do STF começou a ser feito “logo apĂłs a reuniĂŁo”.

TambĂ©m depois desse encontro, os investigadores descobriram que os militares Ă  frente do plano compartilharam um documento com uma estimativa de gastos para “possivelmente viabilizar as açÔes clandestinas que seriam executadas”.

As investigaçÔes identificaram ainda que o grupo alvo da operação previa que Braga Netto e o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno ficassem no comando de um “gabinete de crise”. Documentos apreendidos pelos investigadores apontam que a ideia era que esse gabinete fosse formado imediatamente apĂłs os assassinatos serem concretizados.

A Polícia Federal também aponta Braga Netto como elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos montados em frente aos quartéis do Exército que pediam intervenção militar após a vitória de Lula.

A apuração tem como base a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. De acordo com o relato dele à PF, Braga Netto costumava atualizar Bolsonaro sobre o andamento das manifestaçÔes golpistas e fazia um elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos antidemocråticos.

Em nota divulgada na quinta-feira, a defesa do general repudiou a difusĂŁo de informaçÔes do inquĂ©rito e disse que aguardaria o recebimento oficial “dos elementos informativos para adotar um posicionamento formal e fundamentado”.

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