O general Braga Netto, ministro (Casa Civil e Defesa) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou neste sĂĄbado por meio de sua defesa jurĂdica que foi um dos poucos que se manteve leal ao lado do ex-chefe. Bolsonaro, Braga Netto e outros 35 homens, a maioria militares, foram indiciados pela PolĂcia Federal nesta semana por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrĂĄtico de direito e organização criminosa.

Bolsonaro e o ex-ministro Braga Netto 18/02/2020 â Foto: Pablo Jacob
“Durante o governo passado [Braga Netto] foi um dos pouco, entre civis e militares, que manteve a lealdade ao Presidente Bolsonaro atĂ© o final do governo, em dezembro de 2022, e a mantĂ©m atĂ© os dias atuais, por crença nos mesmos valores e princĂpios inegociĂĄveis”, escreveu a defesa em uma nota publicada nas redes sociais de Braga Netto.
A nota ressalta ainda que o militar “sempre primou pela correção Ă©tica e moral na busca de soluçÔes legais e constitucionais”.
“A defesa do general Braga Netto acredita que a observĂąncia dos ritos do devido processo legal elucidarĂŁo a verdade dos fatos e a responsabilidades de cada entende envolvido nos referidos inquĂ©ritos, por sujas açÔes e omissĂ”es”. O ex-ministro escreveu, junto com a nota, que “nunca se tratou de golpe e muito menos de plano de assassinar alguĂ©m”.
Segundo investigação da PF, o plano de tomar o poder e manter Bolsonaro na presidĂȘncia envolvia matar o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2022.
Ex-ministro e candidato a vice na chapa Ă reeleição de Bolsonaro teria atuado na incitação contra membros das Forças Armadas que nĂŁo aderiram Ă tentativa de golpe, conforme apuração da PF. Mensagens mostram que ele ordenou crĂticas aos entĂŁo comandantes do ExĂ©rcito, Marco AntĂŽnio Freire Gomes, e da AeronĂĄutica, Carlos de Almeida Baptista JĂșnior.
AlĂ©m disso, a casa de Braga Netto foi usada para reuniĂŁo no dia 12 de novembro de 2022 na qual, segundo a PF, foi discutido o plano para matar Lula, Alckmin e Moraes. De acordo com a investigação, o monitoramento do ministro do STF começou a ser feito âlogo apĂłs a reuniĂŁoâ.
TambĂ©m depois desse encontro, os investigadores descobriram que os militares Ă frente do plano compartilharam um documento com uma estimativa de gastos para âpossivelmente viabilizar as açÔes clandestinas que seriam executadasâ.
As investigaçÔes identificaram ainda que o grupo alvo da operação previa que Braga Netto e o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno ficassem no comando de um “gabinete de crise”. Documentos apreendidos pelos investigadores apontam que a ideia era que esse gabinete fosse formado imediatamente apĂłs os assassinatos serem concretizados.
A PolĂcia Federal tambĂ©m aponta Braga Netto como elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos montados em frente aos quartĂ©is do ExĂ©rcito que pediam intervenção militar apĂłs a vitĂłria de Lula.
A apuração tem como base a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. De acordo com o relato dele à PF, Braga Netto costumava atualizar Bolsonaro sobre o andamento das manifestaçÔes golpistas e fazia um elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos antidemocråticos.
Em nota divulgada na quinta-feira, a defesa do general repudiou a difusĂŁo de informaçÔes do inquĂ©rito e disse que aguardaria o recebimento oficial “dos elementos informativos para adotar um posicionamento formal e fundamentado”.

