O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, disse na quinta-feira que irå nomear Todd Blanche, um advogado que supervisionou sua defesa contra vårias acusaçÔes, para se tornar o segundo funcionårio do Departamento de Justiça. A escolha de Blanche, um ex-promotor de Nova York, como procurador-geral adjunto é uma repreensão extraordinåria aos processos criminais contra Trump.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2024/h/g/aL4Kn5REuoE0NqVXm7YA/afp-20241114-36mh8ze-v2-preview-filesuspoliticsjusticetrump.jpg)
O entĂŁo ex-presidente Donald Trump fala enquanto o advogado Todd Blanche observa durante uma entrevista coletiva na Trump Tower na cidade de Nova York em 6 de setembro de 2024 â Foto: CHARLY TRIBALLEAU/AFP
Na quarta-feira, Trump escolheu Matt Gaetz, republicano da FlĂłrida e crĂtico cĂĄustico do FBI e do Departamento de Justiça, para ser o procurador-geral. Se for confirmado como procurador-geral adjunta, Blanche serĂĄ responsĂĄvel por supervisionar as operaçÔes cotidianas de um departamento que Trump tem atacado repetidamente.
Outros membros da equipe jurĂdica de Trump tambĂ©m estĂŁo na fila para receber cargos importantes: Emil Bove como principal procurador-geral adjunto associado e D. John Sauer, que representou Trump perante a Suprema Corte ao argumentar que o ex-presidente tinha direito a ampla imunidade, como procurador-geral.
Ao anunciar a escolha de Blanche, Trump destacou seus anos como promotor federal supervisor no escritĂłrio do procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York e seus cargos anteriores. “Todd Ă© um excelente advogado que serĂĄ um lĂder crucial no Departamento de Justiça, consertando o que tem sido um Sistema de Justiça quebrado por muito tempo”, escreveu.
A escolha ressalta a råpida transformação de Blanche e a grande aposta que ele fez ao aceitar Trump como cliente: hå mais de um ano, ele era um democrata registrado em Nova York e sócio de um prestigiado escritório de advocacia em Wall Street.
De democrata a aliado de Trump
Blanche defendeu Trump em trĂȘs dos processos criminais contra ele, inclusive na FlĂłrida, sobre o manuseio de documentos confidenciais; em Washington, sobre seus esforços para subverter a eleição de 2020; e em Nova York, por um pagamento de suborno para encobrir um escĂąndalo sexual com uma ex-atriz pornĂŽ.
O caso em Nova York terminou com a condenação de Trump por todas as 34 acusaçÔes de falsificação de registros comerciais, tornando-o o primeiro ex-presidente a ser considerado um criminoso.
Como principal advogado de Trump nesse julgamento, Blanche estabeleceu uma conexĂŁo Ășnica com o presidente eleito. Durante semanas, dentro de um tribunal criminal, Trump e Blanche ficaram sentados a centĂmetros de distĂąncia, muitas vezes sussurrando um para o outro durante longos dias de argumentos legais e depoimentos.
Ao defender Trump, Blanche montou uma equipe jurĂdica que teve de lutar simultaneamente em vĂĄrias frentes, tudo isso em meio a uma campanha presidencial acalorada. Ao longo do caminho, muitas vezes enfrentou crĂticas contundentes de juĂzes que nĂŁo gostavam dos argumentos jurĂdicos de Trump, ou do bombardeio do candidato fora do tribunal.
Blanche começou a trabalhar no Distrito Sul como assistente jurĂdico em 1999, frequentando a Faculdade de Direito do Brooklyn Ă noite. Ele retornou alguns anos depois, desta vez como promotor, onde lidou em grande parte com casos de crimes violentos em Manhattan e, por fim, chegou a supervisionar esse trabalho. Depois de deixar a promotoria, tornou-se advogado de defesa em um escritĂłrio particular.
O advogado representou outros membros do cĂrculo de Trump, incluindo Paul Manafort, seu antigo presidente de campanha, e Boris Epshteyn, um conselheiro.

