Vídeo mostra momento da chegada de Mauro Cid no STF para depor sobre delação

Delação que concedeu liberdade provisória ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro pode ser revogada se STF entender que houve descumprimento do acordo

Por Poder 360 21/11/2024

O tenente-coronel Mauro Cid chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) por volta de 13h30 nesta 5ª feira (21.nov.2024). Ele será ouvido a respeito dos termos do acordo de delação premiada firmado com a PF (Polícia Federal) em setembro de 2023 por causa de “contradições” entre os depoimentos dados à época e no caso das investigações da PF sobre plano de matar o ministro Alexandre de Moraes.

O depoimento será a portas fechadas e será presidido diretamente por Moraes. Está previsto para começar às 14h. Cid está acompanhado do seu advogado, Cezar Bittencourt.

Vídeo mostra momento da chegada de Mauro Cid no STF para depor sobre delação

TV Justiça – 21.nov.2024 

O acordo de Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), ficou sob risco depois que a operação Contragolpe da PF revelou na 3ª feira (19.nov) um plano que teria sido articulado por um grupo de militares para matar o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), e o próprio Moraes no final de 2022.

No relatório enviado ao Supremo que embasou a operação (íntegra – PDF – 1 MB), a PF disse que um dos primeiros indicativos de que Moraes estava sendo monitorado no pós-eleições de 2022 foram obtidos a partir de dados do celular de Mauro Cid.

Cid negou saber do planejamento no mesmo dia, quando foi ouvido pela PF. A polícia então enviou ao Supremo um ofício relatando o descumprimento dos termos com a omissão de Cid e versões incongruentes em seus depoimentos.

Caso a delação premiada seja revogada, os benefícios firmados já não valerão mais. Um deles é a liberdade provisória concedida por Moraes pela 2ª vez em maio de 2024, com a aplicação de medidas de restrição de direitos, como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções no Exército e proibição de se ausentar do país.

Na decisão, o ministro disse que o descumprimento das medidas levaria Cid novamente à prisão. A negociação também pode ser anulada no caso de uma “omissão dolosa” de fatos por parte do colaborador, segundo o artigo 4º, parágrafo 17, da lei 12.850/13.

Um eventual pedido por anulação precisaria ser avaliado por Moraes.

A colaboração e os materiais apreendidos com ex-ajudante de ordens basearam novas investigações contra Bolsonaro.

Cid foi preso em maio de 2023 em uma operação da PF que investigava a inserção de dados falsos em cartões de vacina contra a covid-19. Ele foi solto em setembro, depois de o STF homologar seu acordo de delação.

O ex-ajudante de ordens do ex-presidente, no entanto, foi preso novamente em março de 2022 depois de depor no STF sobre áudios vazados pela revista Veja, em que ele critica Moraes e diz ter sido coagido a delatar. Pouco depois, em maio, Moraes concedeu liberdade provisória outra vez.

ENVOLVIMENTO DE CID 

O relatório da PF detalha conversas do ex-ajudante de ordens trocando mensagens com outras pessoas a respeito do que seriam a agenda e o itinerário de Moraes.

A corporação também relata o que seria um evento chamado “Copa 2022”, que teria sido discutido por Cid com o major Rafael de Oliveira e o tenente-coronel Ferreira Lima na casa de Walter Braga Netto. O “evento” ocorreria, segundo as apurações, em 15 de dezembro de 2022, data em que Moraes seria preso e executado.

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