O aparelho celular serve para várias funções no dia a dia, desde ler notĂcias, conversar com a famĂlia e amigos, checar as redes sociais e possibilitar a segurança da comunicação. Contudo, os avanços tecnolĂłgicos e a possibilidade de estar sempre conectado produziu um novo desafio de saĂşde: a nomofobia.

Entenda o que é nomofobia, o medo de ficar sem acesso ao celular — Foto: Freepik
O termo vem do inglĂŞs — no mobile phone phobia — e se refere Ă fobia de ficar sem acesso ao celular. A psicĂłloga clĂnica e neuropsicĂłloga Juliana Gebrim detalha que a condição está, frequentemente, ligada a uma dependĂŞncia excessiva da tecnologia, que pode impactar negativamente a saĂşde mental e a qualidade de vida de uma pessoa.
“A nomofobia pode gerar uma compulsão intensa por estar sempre conectado, o que resulta em ansiedade, estresse e outros problemas emocionais quando não se consegue se comunicar por meio de dispositivos eletrônicos”, explica.
Quais sĂŁo os sintomas?
Pessoas com a condição, muitas vezes, apresentam sintomas semelhantes aos de um transtorno de ansiedade quando estão sem o aparelho telefônico. “A compulsão pelo celular pode ser tão forte que a pessoa o usa até em momentos sociais importantes, o que dificulta a concentração em outras atividades”, comenta Juliana.
Além disso, segundo a psicóloga, é comum enfrentar problemas para dormir, como insônia causada pelo uso excessivo do celular à noite.
“Os sintomas fĂsicos tambĂ©m podem aparecer, como sudorese, taquicardia e respiração acelerada, quando a pessoa percebe que está sem o dispositivo, o que demonstra o quanto essa situação pode ser estressante.”
Como se dá o diagnóstico?
Apesar de muitas pessoas se identificarem com os sintomas, o diagnóstico precisa ser feito por um profissional de saúde mental. O especialista irá avaliar os sinais e observar o impacto que o uso do celular tem na rotina do paciente, além de usar questionários que medem o grau de dependência tecnológica.
“Embora a nomofobia ainda nĂŁo esteja classificada como um transtorno psiquiátrico no Manual DiagnĂłstico e EstatĂstico de Transtornos Mentais, ela pode aparecer junto a outros transtornos de ansiedade e dependĂŞncias comportamentais”, afirma Juliana.
Como Ă© feito o tratamento?
O tratamento da nomofobia, geralmente, envolve intervenções psicolĂłgicas. “Entre as estratĂ©gias que podem ser adotadas, está a definição de limites para o uso do celular, estabelecendo horários especĂficos e identificando momentos crĂticos, como antes de dormir ou durante refeições. TĂ©cnicas de mindfulness tambĂ©m podem ser Ăşteis, pois ajudam a reduzir a ansiedade e aumentar o controle sobre comportamentos impulsivos”, recomenda a profissional.
Além disso, é recomendável incentivar atividades off-line, como esportes, leitura e encontros sociais, para diminuir a dependência da tecnologia.

Geralmente, o tratamento da nomofobia envolve intervenções psicológicas. Foto: Gettyimages
“O mais importante no tratamento não é eliminar completamente o uso do celular, mas sim promover uma relação equilibrada e saudável com a tecnologia, ajudando a pessoa a encontrar um ponto que não comprometa sua saúde mental e suas relações pessoais”, pondera a psicóloga.
A retirada abrupta do celular pode gerar sintomas de abstinĂŞncia?
Ao mesmo tempo, Juliana destaca que retirar o telefone de forma abrupta pode desencadear sintomas de abstinência semelhantes aos de outras dependências. “Isso pode incluir ansiedade, irritabilidade, inquietação, dificuldade de concentração e até alterações de humor.”
“Essa resposta acontece porque o uso excessivo do celular ativa o sistema de recompensa do cĂ©rebro, liberando dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer e Ă motivação. Quando esse estĂmulo Ă© cortado de forma abrupta, o cĂ©rebro pode reagir com desconforto emocional e fĂsico”, explica.

