Vacina contra dengue: Rio Branco tem mais de 3 mil doses em estoque, mas público-alvo resiste

Um óbito pela doença já foi confirmado, enquanto outros quatro estão em fase de investigação, diz a Sesacre

A vacinação contra a dengue, disponível nas unidades básicas de saúde de Rio Branco para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, ainda não atingiu a quantidade esperada de pessoas e tem tido baixa procura. A informação foi dada pela coordenadora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Socorro Martins de Souza, em entrevista exclusiva ao ContilNet.

SAIBA MAIS: Com avanço da dengue, Prefeitura expande horário de funcionamento de Uraps até 22h; veja quais

Pelo menos 3.512 doses estão disponíveis para aplicação/Foto: ContilNet

 A imunização é uma medida importante, já que Rio Branco registrou uma média de mil casos de dengue nas primeiras semanas do ano de 2025. Uma das maiores preocupações é o crescimento dos casos graves da doença, que estão afetando, especialmente, os jovens. Também aumentou o número de internações.

“A nossa preocupação é que os casos estão se agravando muito. Temos muitos casos graves internados, principalmente de jovens — uma faixa etária que antes não era tão acometida e agora é. Então, nossa preocupação é evitar esses casos, diminuindo a quantidade da doença para evitar possíveis óbitos. Inclusive, já tivemos óbitos aqui em Rio Branco”, afirmou.

Socorro informou que pelo menos 3.512 doses estão disponíveis para aplicação.

Socorro Martins é coordenadora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Semsa/Foto: ContilNet

“Nós temos essa vacina disponível já há algum tempo, desde o ano passado, e ainda não atingimos a nossa meta, já que ela é destinada somente a uma determinada faixa etária, que são os adolescentes de 10 a 14 anos. Esse é um público que tem muita dificuldade em aderir à vacinação, e ainda estamos com grande dificuldade de obter essa adesão”, explicou.

A coordenadora pediu o apoio dos pais para levarem seus filhos às unidades de saúde e destacou que a vacina não evita a infecção, mas impede o agravamento dos casos, que podem evoluir para óbito.

“Queremos orientar os pais a levarem seus filhos para a vacinação. Trata-se de uma vacina eficaz e, neste momento, é uma das armas que temos em mãos para evitar que as pessoas desenvolvam a forma grave da doença, com complicações severas. A vacina não impede a infecção, mas evita o agravamento. Temos, em média, 3.512 doses armazenadas, cuja validade vai até o próximo ano”, finalizou.

Mortes por dengue

Durante a visita de uma equipe da Força Nacional do SUS ao Acre, nesta quinta-feira (13), o secretário de Saúde (Sesacre), Pedro Pascoal, anunciou que o Acre já contabilizou mais de 1.200 casos de dengue nos primeiros dois meses de 2025, até a 6ª semana epidemiológica. Além disso, 4.700 casos estão em investigação.

O secretário também informou que um óbito pela doença já foi confirmado, enquanto outros quatro estão em fase de investigação.

“Temos, atualmente, cinco casos de óbito; desses, um foi confirmado como decorrente de dengue, e quatro ainda estão sob investigação”, destacou.

Pascoal acrescentou que, apesar do número de casos e óbitos, o sorotipo 3 da dengue, registrado em outros estados do país, ainda não circula no Acre:

“Ainda temos a predominância dos sorotipos 1 e 2 da dengue. Não observamos o sorotipo 3, que é o mais grave, já identificado em outros estados. De antemão, gostaríamos de agradecer ao governo federal por estar presente nos momentos críticos vividos pelo nosso estado”, ressaltou.

PUBLICIDADE