Marina Silva pode romper com Lula novamente por conta de exploração de petróleo na Amazônia

Ministra tem dito que, se o presidente do Ibama for demitido, ela pede demissão do cargo e reassume mandato de deputada federal

Por Tião Maia, ContilNet 31/03/2025 às 08:36 Atualizado: há 1 ano

Assim que retornar ao Brasil, após integrar a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens pelo continente, com visitas ao Japão e ao Vietnã, a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a acreana Marina Silva, estará de volta aos problemas da realidade brasileira e dos assuntos que podem colocá-la de volta na berlinda com o governo.

No passado, o que a fez sair do governo, quando ocupava o mesmo cargo no primeiro mandato de Lula, em 2008, foi uma crise com a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, por causa de Belo Monte, na região do Xingu, no Pará. Agora, a crise entre ela e o presidente Lula é pela exploração de petróleo também na Amazônia, na Foz do Amazonas, no estado do Amapá.

Marina Silva pode romper com Lula novamente por conta de exploração de petróleo na Amazônia

Marina e Lula durante campanha em 2022. Foto: Ricardo Stuckert

Neste caso, já há sinais claros de que o presidente da República e a ministra do Meio Ambiente estão em lados opostos no debate sobre a expansão da fronteira de exploração de petróleo, e isso pode levar Marina Silva a, mais uma vez, deixar o governo. Ela é deputada federal pela Rede Sustentabilidade de São Paulo e, se sair do governo, voltará à Câmara para exercer seu mandato.

O desejo de Lula de expandir a fronteira de exploração de combustíveis fósseis no Brasil se assemelha ao desgaste político causado durante as discussões para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na primeira gestão petista. Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendem a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, enquanto Marina Silva e o Ibama demonstram preocupação com os impactos ambientais. O conflito entre Lula e Marina repete o que ocorreu no primeiro governo petista, quando a ministra se opôs à construção da Usina de Belo Monte.

Em 2023, o presidente do órgão, Rodrigo Agostinho, rejeitou o pedido da Petrobras para perfuração na região, seguindo parecer técnico. A Margem Equatorial se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá. A Petrobras quer investir US$ 3,1 bilhões para explorar petróleo e gás na região. A empresa solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorização para perfurar o bloco FZA-M-59, localizado a 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá.

A ministra Marina Silva tem se colocado em defesa do Ibama e pedido respeito à atuação técnica do órgão. Posição antagônica à do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, um dos defensores da ampliação da exploração, cujo comportamento se assemelha ao de Dilma Rousseff no passado.

Sobre Belo Monte, na época, Marina Silva apontava os impactos ambientais e sociais na Amazônia, em especial para os povos indígenas e as comunidades ribeirinhas. Apesar disso, o presidente Lula se colocou favorável à expansão da infraestrutura e do setor energético e manteve o projeto.

Com o desgaste político e a queda de influência dentro da gestão petista, Marina Silva pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente em 2008. Do outro lado, Dilma Rousseff, que foi ministra de Minas e Energia (2003-2005) e chefe da Casa Civil (2005-2010), defendia a obra com o argumento de crescimento econômico e expansão da matriz energética.

Belo Monte acabou sendo leiloada e construída no governo Dilma, mas o caso resultou em um rompimento entre Marina Silva e o PT. Agora, as mesmas pastas estão em posição antagônica, mas, em vez de Dilma Rousseff, é Alexandre Silveira quem defende a exploração da Foz do Amazonas, apesar da resistência de Marina Silva, que argumenta a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis.

Alexandre Silveira não esconde a pressão para que o Ibama atenda ao pedido da Petrobras, mas o órgão conta com a defesa da ministra do Meio Ambiente, que tem assumido a linha de frente do debate. A troca de Rodrigo Agostinho chegou a ser questionada dentro do governo Lula. Neste caso, quem assumiria o cargo seria o ministro Márcio Macêdo, atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

No entanto, Marina Silva teria dito que, em caso de substituição de Rodrigo Agostinho, ela deixaria o cargo. Marina Silva compõe o governo Lula com uma posição de destaque para tentar colocar novamente o Brasil como líder da agenda ambiental mundial, especialmente por causa da realização da 30ª Conferência das Partes (COP30) em Belém, no Pará.

O ministro de Minas e Energia pediu uma reunião com o presidente do Ibama, mas o encontro só deverá ocorrer com a presença de Marina Silva, que está no Vietnã, acompanhando o presidente Lula. O encontro entre Silveira, Agostinho e Marina deve ocorrer em abril, mas ainda sem uma data definida.

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