Nos Ășltimos anos, o setor financeiro brasileiro foi transformado por uma enxurrada de empresas digitais, as chamadas fintechs. No entanto, essa era pode estar prestes a ser regulada de forma mais rĂgida. O Banco Central estĂĄ avaliando impor limites ao uso de termos como âbankâ e âbancoâ por empresas que nĂŁo possuam licença bancĂĄria formal.

Reprodução/Nubank
Restrição ao uso do termo âBankâ
A proposta foi colocada em consulta pĂșblica e, se aprovada, permitirĂĄ que apenas instituiçÔes autorizadas como bancos utilizem palavras ou variaçÔes como âbankâ em suas marcas, nomes comerciais, sites e materiais de comunicação. Fintechs como o Nubank, que operam como instituiçÔes de pagamento ou sociedades de crĂ©dito direto, estariam entre as afetadas e poderiam ter que modificar suas marcas para se adequar Ă s novas exigĂȘncias.
Contexto de crescimento e maturação do setor
A proposta surge apĂłs mais de uma dĂ©cada de crescimento acelerado do setor de fintechs no Brasil. Desde a regulamentação das instituiçÔes de pagamento (em 2013) e das sociedades de crĂ©dito direto (em 2018), o ambiente regulatĂłrio se tornou mais propĂcio Ă entrada de novas empresas. Mas esse crescimento começa a desacelerar: em 2024, por exemplo, o nĂșmero de novas IPs cresceu 50%, ritmo menor do que nos anos anteriores.
Segundo o Banco Central, o objetivo Ă© proteger o consumidor e aumentar a transparĂȘncia sobre o tipo de instituição com que ele estĂĄ lidando. A ideia Ă© evitar confusĂ”es entre empresas com autorização bancĂĄria, que seguem regras rigorosas de capital, solvĂȘncia e liquidez, e aquelas com escopo de atuação mais restrito.
Impactos para empresas como o Nubank
Caso a nova regra entre em vigor, instituiçÔes como o Nubank terĂŁo dois caminhos: solicitar uma licença bancĂĄria completa, com todos os requisitos regulatĂłrios que isso implica, ou realizar um processo de rebranding â que inclui trocar nome, atualizar contratos, reformular aplicativos, materiais de marketing e canais de comunicação. O custo, tanto financeiro quanto em termos de reconhecimento de marca, pode ser alto.
Para entidades que representam o setor de fintechs, como ABFintechs e ABBaaS, a medida pode dificultar a inovação e reduzir a competitividade no mercado. Jå especialistas em direito financeiro avaliam que a proposta tem base técnica sólida e segue diretrizes internacionais que buscam padronização e clareza no sistema financeiro.
Consulta pĂșblica segue atĂ© maio
A proposta estĂĄ aberta para consulta atĂ© o dia 31 de maio de 2025. Nesse perĂodo, empresas, especialistas e o pĂșblico em geral podem enviar opiniĂ”es e sugestĂ”es. Caso aprovada, a norma ainda contarĂĄ com um prazo de adaptação â estimado entre seis e doze meses â para que as instituiçÔes se ajustem.
A Zetta, entidade que representa o Nubank, declarou que participarå das discussÔes e defendeu uma transição equilibrada. A Febraban, que representa os bancos tradicionais, ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Com essa iniciativa, o Banco Central busca consolidar um sistema financeiro mais claro e confiĂĄvel. Para as fintechs, o momento Ă© de decisĂŁo: adaptar o modelo de negĂłcio ao novo cenĂĄrio regulatĂłrio ou reformular sua identidade, inclusive no nome.
