Fraude milionária com “vans fantasmas” é alvo de operação no RJ

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (27/05), a Operação Caronte para desarticular um esquema milionário de fraudes no sistema de transporte público intermunicipal. A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), revelou a existência de um grupo criminoso que causava prejuízo milionário aos cofres públicos ao simular viagens que nunca ocorreram, desviando recursos do Bilhete Único Intermunicipal.

Com apoio da 109ª DP (Sapucaia) e de outras delegacias especializadas, os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em residências e empresas de permissionários acusados de operar “vans fantasmas”.

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A organização criminosa simulava dezenas de viagens por hora em veículos com capacidade para apenas 15 passageiros, usando de forma fraudulenta os cartões RioCard e o sistema de bilhetagem eletrônica. Em um dos casos, foram registradas mais de 34 validações em apenas uma hora, sem que qualquer passageiro estivesse a bordo.

As investigações indicam que os criminosos manipulavam os validadores eletrônicos das vans para gerar múltiplas validações sequenciais. Cada uma delas representava um crédito a ser reembolsado pelo Estado, como se fosse uma viagem real. Esse esquema possibilitava repasses mensais expressivos às cooperativas e aos permissionários envolvidos, que se apropriavam indevidamente dos recursos públicos.

Além disso, parte dos valores obtidos era lavada por meio de movimentações fracionadas, compra de bens em nome de terceiros e uso de empresas de fachada. O inquérito aponta que o grupo estruturou uma verdadeira organização criminosa, com divisão de tarefas, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, movimentando, ao longo do tempo, cifras que podem chegar a dezenas de milhões de reais por ano.

O esquema foi identificado em linhas intermunicipais que ligam a Baixada Fluminense, como Guapimirim, Magé, Piabetá e Raiz da Serra ao Centro do Rio. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo provocado pela fraude atinge diretamente uma política pública destinada a subsidiar o transporte de trabalhadores fluminenses, que movimenta cerca de R$ 900 milhões anualmente.

As investigações contaram com o cruzamento de dados do sistema de bilhetagem, rastreamento de itinerários, oitiva de testemunhas e apoio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). O relatório de inteligência revelou movimentações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas, saques fracionados, repasses cruzados e vínculos com cooperativas de fachada.

Entre os alvos estão dirigentes de cooperativas e operadores de linhas suspeitas de atuarem como “fábricas de bilhetes falsos”. Um dos investigados, apontado como líder do grupo, movimentou mais de R$ 1,2 milhão em apenas seis meses, sendo R$ 259 mil em dinheiro vivo.

A operação visa apreender documentos, celulares, veículos de luxo, joias e mídias digitais que possam comprovar a fraude. Os investigados responderão por peculato, lavagem de capitais e constituição de organização criminosa.