Moradores do entorno da Rua Costa Carvalho, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, organizaram um abaixo-assinado contra três estabelecimentos que lotam a via pública com dezenas de clientes. Os signatários denunciam falta de estrutura inadequada para receber o público, obstrução da via, poluição sonora e clientes que urinam e defecam nas ruas.
A petição on-line, que foi feita há duas semanas e contava com 916 assinaturas na manhã desta terça-feira (27/5), exige a proibição do uso das calçadas, ciclofaixa e via pública pelo “grupo” dos empresários do restaurante italiano Cristal CasaMia, o bar Casa da Fulana e o restaurante-boteco Singelo Braseiro, localizados na Rua Costa Carvalho.
Ao Metrópoles, os empreendimentos afirmam que atuam com CNPJs distintos e que possuem alvarás de funcionamento e as demais licenças de funcionamento em conformidade com a legislação vigente. Além disso, alegam que operam estritamente dentro dos limites autorizados pelos órgãos públicos competentes (veja nota na íntegra abaixo).
Nas redes sociais, uma publicação que marca os três estabelecimentos vende os locais como uma experiência de almoço, bar e balada na mesma rua. “Três portas. Uma rua. Uma experiência feita pra quem vive com intensidade e bom gosto”, diz um post recente no Instagram, com diversas imagens da rua lotada de clientes.
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Restaurante e bares ficam na mesma rua
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Rua Costa Carvalho, em Pinheiros, é lotada por clientes de estabelecimentos
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Moradores se uniram para abaixo-assinado contra a ocupação da rua
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A petição online tem mais de 900 assinaturas
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Os signatários denunciam falta de estrutura inadequada para receber o público
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De acordo com o abaixo-assinado, os locais recebem centenas de pessoas
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De acordo com o abaixo-assinado, os locais recebem centenas de pessoas. “Os imóveis, situados de ambos os lados da via, acomodam clientes, funcionários e seguranças em toda a calçada, ciclofaixa e até mesmo no meio da rua”, cita o texto. “Obstruem a mobilidade de pedestres, ciclistas e automóveis durante o período de funcionamento dos estabelecimentos, que vai do meio-dia até altas da madrugada.”
“Somos terrivelmente incomodados pela poluição sonora, com níveis acima dos decibéis legais, e por clientes que urinam e defecam nas ruas no entorno, uma vez que não há banheiros suficientes disponíveis nos estabelecimentos”, alegam os moradores de 13 ruas do entorno.
A denúncia também fala na comercialização de bebida alcoólica na ciclofaixa, calçada e rua, com maquininhas e distribuição de fichas.
“Remédio para dormir”
Uma moradora que assinou a petição dividiu em um comentário que, devido à movimentação que os bares provocam na rua, está precisando tomar remédio controlado para dormir. “O barulho é infernal. À noite, tenho que desviar o caminho. A rua fica lotada de carros e pessoas”, escreveu.
Outra signatária diz que a bagunça generalizada é demais, inclusive com o uso de drogas. “Moradores tem que suportar som alto, uso de drogas na porta de casa e sem contar que não conseguem sequer estacionar”, alega.
“O abuso não é somente da ocupação da rua, calçada e ciclovia. O barulho é algazarra até altas horas, importuna os moradores das ruas adjacentes. Os usuários dos estabelecimentos, por sinal com total falta da educação, usam as ruas adjacentes para defecar e urinar, causando mau cheiro”, comentou outro morador.
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Sobre a segurança do local, uma moradora registrou o risco de ser atropelada na rua. “Me senti desprotegida. Impossível caminhar nas calçadas, abarrotadas com os clientes e os próprios funcionários dos bares circulando. Um absurdo. Não há limite entre o espaço público e os ambientes destes bares.”
O que dizem os estabelecimentos
Ao Metrópoles, o empresário Vinicius Rodrigues, responsável em comum pelas três casas, esclareceu que os locais mencionados no abaixo-assinado não fazem parte de um mesmo grupo empresarial, como se diz na petição. “Cada estabelecimento possui sociedade e gestão próprias, com CNPJs distintos e, portanto, é incorreta a associação sob o nome ‘Grupo Cristal CasaMia’”, afirma.
“Os empreendimentos citados possuem alvarás de funcionamento (no plural) e demais licenças de funcionamento em conformidade com a legislação vigente. E operam estritamente dentro dos limites autorizados pelos órgãos públicos competentes”, diz a nota.
De acordo com o empresário, a circulação de pessoas nas calçadas é espontânea, “como ocorre em diversos pontos de interesse gastronômico da cidade, da região e do bairro, e que não configura irregularidade por parte dos empreendimentos”. Além disso, firma que não há qualquer comercialização de bebidas ou produtos fora dos limites dos estabelecimentos.
A partir da petição, os estabelecimentos afirmam que abriram prontamente um canal de diálogo com os moradores do bairro, “com o objetivo de ouvir as demandas da comunidade e buscar soluções conjuntas”.
“Como resultado desse esforço, foi elaborado um plano de ação, que está em plena execução e sendo periodicamente compartilhado com os vizinhos, reforçando o compromisso com a boa convivência e o respeito mútuo”, disse Vinicius Rodrigues.
“Distorções e generalizações como as apontadas no abaixo-assinado e alegações mencionadas, carecem de embasamento técnico e jurídico. Seguimos abertos ao diálogo, certos de que a transparência e a colaboração são os melhores caminhos para a construção de um ambiente harmonioso para todos”, finaliza a nota.
O Metrópoles questionou a Prefeitura de São Paulo sobre as licenças dos estabelecimentos e vistorias no local, mas não houve retorno.
