‘Ou o PT muda ou vira lembrança’: artigo de petista expĂ”e crise e aponta dilemas do partido no Acre

CesĂĄrio parece dizer o seguinte: ou o PT do Acre reencontra o povo, assume seus erros e se reconstrĂłi com humildade e pragmatismo, ou corre o risco de se tornar irrelevante

Por Matheus Mello, ContilNet 29/05/2025 Atualizado: hĂĄ 11 meses

Um artigo assinado por um dos militantes mais importantes do PT no Acre deu o que falar.

O artigo assinado por CesĂĄrio Braga Ă© mais do que um desabafo interno. É um diagnĂłstico duro e, ao mesmo tempo, um chamado Ă  realidade sobre o momento em que vive o partido no estado — e, sobretudo, sobre o que estĂĄ em jogo para 2026.

pt acre

PT no Acre/Foto: Ascom

Ao fazer um balanço dos caminhos trilhados pela legenda, CesĂĄrio aponta para uma desconexĂŁo crescente entre o PT e a sociedade acreana. O texto reconhece, com rara franqueza, que os pilares que sustentaram a ascensĂŁo do partido — como a luta pela terra, o funcionalismo pĂșblico mobilizado e os movimentos eclesiais de base — jĂĄ nĂŁo tĂȘm o mesmo impacto na dinĂąmica social atual. Pior: o partido, segundo ele, nĂŁo conseguiu se adaptar com respostas concretas aos novos anseios da população, como o fortalecimento da produção rural, o desenvolvimento com inclusĂŁo e a renovação das alianças polĂ­ticas.

CesĂĄrio parece dizer o seguinte: ou o PT do Acre reencontra o povo, assume seus erros e se reconstrĂłi com humildade e pragmatismo, ou corre o risco de se tornar irrelevante num cenĂĄrio polĂ­tico onde o tempo da nostalgia jĂĄ nĂŁo garante mais votos.

Chame chame!

O ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, um nome de confiança dentro do MDB, voltou a ser mencionado em conversas estratégicas sobre a disputa pelo governo do Acre em 2026.

O movimento ainda Ă© discreto, mas interlocutores do partido admitem que o nome de Marcus Ă© visto como uma “reserva estratĂ©gica” – alguĂ©m com recall eleitoral e perfil conciliador, num momento em que o MDB busca se reorganizar e definir seu rumo no estado.

A leitura interna é de que, com o atual cenårio político fragmentado e a divisão da direita entre Alan Rick e Mailza Assis, o espaço para um nome como o de Marcus Alexandre pode se abrir com mais facilidade do que se imaginava meses atrås.

Apesar disso, Marcus segue adotando a tĂĄtica do silĂȘncio. NĂŁo confirma e nĂŁo nega. Um aliado prĂłximo diz que ele estĂĄ “em modo observação”, acompanhando as movimentaçÔes, mas sem pressa para se posicionar.

Por ora, o que se vĂȘ Ă© um MDB dividido entre a vontade de lançar um nome competitivo e a necessidade de nĂŁo precipitar decisĂ”es. E, dentro desse equilĂ­brio delicado, o nome de Marcus Alexandre permanece como uma carta guardada — que pode ser jogada no momento certo.

NĂșmeros nĂŁo negam

A sondagem ao nome de Marcus Alexandre dentro do MDB cresceu nas Ășltimas semanas nĂŁo por acaso. Pesquisas internas e levantamentos recentes de intenção de voto voltaram a mostrar o ex-prefeito de Rio Branco Ă  frente de nomes jĂĄ colocados como prĂ©-candidatos ao governo do Acre em 2026.

Mesmo fora do debate pĂșblico, Marcus segue com alto reconhecimento e mantĂ©m força principalmente na capital. O desempenho dele na eleição municipal do ano passado, quando perdeu a disputa pela prefeitura, mas ainda assim obteve uma votação expressiva, tem sido usado como argumento por setores do MDB que defendem seu nome como o mais competitivo do partido.

Plano B?

Embora Marcus Alexandre concentre boa parte das atençÔes dentro do MDB acreano, o partido ainda guarda uma segunda cartada para a disputa pelo governo em 2026: a ex-deputada federal Jéssica Sales.

Com forte ligação com o interior do estado e trajetória consolidada na política, especialmente no Vale do Juruå, Jéssica é vista como um nome capaz de aglutinar forças e ampliar o alcance eleitoral do partido para além da capital.

Assim como Marcus, ela tambĂ©m tem evitado falar publicamente sobre seus planos. Nos bastidores, aliados dizem que JĂ©ssica estĂĄ ouvindo, avaliando os cenĂĄrios e sem pressa para se posicionar. O silĂȘncio, neste momento, faz parte da estratĂ©gia — e mantĂ©m o MDB com mais de uma opção relevante no tabuleiro para 2026.

Esvaziamento em curso

Mesmo sendo um dos maiores partidos do paĂ­s, com capilaridade em prefeituras e bancadas expressivas no Congresso, o PSD vive um processo de esvaziamento acelerado no Acre — e o epicentro da crise atende pelo nome de SĂ©rgio PetecĂŁo.

Presidente estadual da sigla, o senador tem enfrentado resistĂȘncia interna e perdido aliados. Nesta semana, o cenĂĄrio piorou: os dois Ășnicos deputados estaduais do PSD anunciaram que vĂŁo deixar o partido. Com isso, a legenda caminha para montar uma chapa para a Assembleia Legislativa em 2026 sem nenhum parlamentar com mandato — um contraste gritante com a força que o PSD ostenta em outras partes do paĂ­s.

Aliados apontam falhas na articulação polĂ­tica de PetecĂŁo e dizem que o senador tem atuado de forma centralizadora, o que tem afastado quadros da legenda. A tendĂȘncia, segundo fontes ouvidas pela coluna, Ă© de que novas baixas ocorram nos prĂłximos meses, caso o comando do partido no estado nĂŁo seja repensado.

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