Ao aplicar sançÔes da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo Donald Trump o coloca na mesma lista onde estĂŁo um “xerife” do regime talibĂŁ no AfeganistĂŁo e o lĂder de uma gangue no Haiti responsĂĄvel pelo sequestro de cidadĂŁos americanos.
Um relatĂłrio do Congressional Research Service, agĂȘncia de pesquisa legislativa nos Estados Unidos, aponta que 245 indivĂduos e 310 entidades (como organizaçÔes e empresas) sancionados pela Lei Magnitsky atĂ© novembro de 2024.
Com base nos Ășltimos relatĂłrios de prestação de contas divulgados pelo Departamento de Estado, a CNN compilou exemplos de alvos da lei americana.
Entre eles estĂŁo:
- Xeque Mawlawi Mohammad Khalid Hanafi – O ministro da Propagação da Virtude e Prevenção do VĂcio Ă© descrito pelo Middle East Institute, um centro de estudos baseado em Washington, como “linha-dura” do regime talibĂŁ. Ele supervisiona a “polĂcia moral” do AfeganistĂŁo, garantindo a imposição e a aplicação da “sharia” (conjunto de leis religiosas do IslĂŁ). Sua atuação envolve denĂșncias de sequestros, assassinatos e chicotadas pĂșblicas como punição.
- Renel Destina – Um dos lĂderes da gangue haitina Gran Ravine, estĂĄ na lista de “procurados” do FBI. Em 2021, ele e seus comparsas sequestraram um cidadĂŁo americano por 14 dias. De acordo com o Conselho de Segurança da ONU, sob o comando de Restina, o grupo criminoso tem cometido crimes como roubos armados, estupros, assassinatos e destruição de propriedades.
- Horacio Cartes – EmpresĂĄrio e polĂtico do Partido Colorado, foi presidente do Paraguai entre 2013 e 2018. O Departamento de Estado o descreve como tendo sido responsĂĄvel pela expropriação de ativos para ganhos pessoais, recebimento de propinas e corrupção ligada a contratos para explorar recursos naturais. Cartes Ă© acusado de ter feito pagamentos mensais, de US$ 5 mil a US$ 50 mil, a parlamentares durante seu governo.
- Gao Qi – LĂder do EscritĂłrio de Segurança PĂșblica de Xinjiang, foi descrito na aplicação da Lei Magnitsky como responsĂĄvel por “sĂ©rios abusos” de direitos humanos na provĂncia chinesa, onde os uigures — etnia majoritariamente muçulmana — reclama de perseguição religiosa. A ONU investiga crimes contra a humanidade em Xinjiang.
- Apollo Quiboloy – Fundador da igreja Reino de Jesus Cristo, o Nome Acima de Qualquer Nome, o pastor filipino acumula denĂșncias por estupro de meninas de atĂ© 11 anos de idade e pelo trĂĄfico de garotas que eram suas assistentes. As fiĂ©is da igreja, segundo descrição do Departamento de Estado, foram submetidas a “plantĂ”es noturnos” com Quiboloy em que teriam sido exploradas sexualmente.
- Rozman Kadyrov – LĂder polĂtico da ChechĂȘnia, acusado de autoritarismo, crimes contra a humanidade, incluindo assassinatos, desaparecimentos forçados e tortura. O russo tambĂ©m Ă© acusado de oprimir mulheres e ter criado um campo de concentração para homossexuais em 2017.

