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Clendes sobre acusações de vender perfumes no BRTrans e fazer cultos: ‘Assassinato de reputação’

Por Vitor Paiva, ContilNet

O superintendente da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), Clendes Vilas Boas, negou as acusações de assédio moral feitas pela influenciadora digital e ex-funcionária do órgão, Marília Rodrigues, e afirmou que ingressou com queixa-crime contra pessoas que estão, de acordo com Vilas Boas,o difamando, e outras pessoas que estariam envolvidas em uma tentativa de “assassinato de reputação”. As declarações foram feitas após repercussão do caso na Câmara Municipal de Rio Branco, onde vereadores defenderam o afastamento temporário do gestor até a conclusão das investigações.

Superintendente durante entrevista coletiva/Foto: ContilNet

Vilas Boas classificou a denúncia como “leviana e fraudulenta” e disse que ela foi baseada em um “documento anônimo sem validade”. Segundo ele, a medida correta teria sido encaminhar a acusação ao Ministério Público ou à Polícia Civil para apuração prévia, e não levar o caso diretamente à tribuna. O superintendente afirmou que registrou ocorrência na delegacia contra um parlamentar, a influenciadora e outros indivíduos que, segundo ele, estão ameaçando sua família.

“Minha família está em desespero. Vou enfrentar e não vou abrir mão de lavar minha honra. Nunca tive problema desse tipo. Nunca fui processado, condenado ou envolvido em corrupção. Isso é uma quadrilha que quer me prejudicar e arruinar a gestão do prefeito Tião Bocalom”, declarou.

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O gestor também negou ter cometido assédio contra servidores e disse manter bom relacionamento com lideranças comunitárias e a imprensa. Ele alegou que os ataques partem de pessoas “invejosas do trabalho” realizado na RBTrans e de adversários políticos.

Venda de perfumes e uso de veículos oficiais

Vilas Boas admitiu vender perfumes da marca Hinode, afirmando ser “diamante” na rede de revendedores e que a atividade é realizada fora do expediente, como forma de complementar a renda para custear tratamento de saúde após sofrer um AVC. Ele negou que utilize veículos da RBTrans para entregas de produtos e disse possuir testemunhas e registros que comprovam o uso de transporte próprio ou táxi.

“Vender perfumes nas horas vagas não é crime. Nunca usei carro da RBTrans para isso. Se aparecer alguém dizendo o contrário, vai responder na Justiça”, disse.

Procedimentos internos e anulação de multas

O superintendente citou casos em que puniu agentes de trânsito por condutas que considerou irregulares, como emissão de multas em eventos autorizados pela prefeitura. Ele afirmou que cancelou 16 autuações aplicadas durante uma caminhada na Avenida Sobral, alegando que a via estava interditada para pedestres. Segundo Vilas Boas, essas decisões geraram descontentamento entre servidores, que teriam passado a atacá-lo.

Cultos na RBTrans

O gestor também se manifestou sobre a realização de cultos semanais no órgão, afirmando que ocorrem antes do expediente e de forma voluntária, após a saída de Marília Rodrigues da autarquia. Ele disse que não há imposição para que servidores participem e que há presença de representantes de diferentes denominações religiosas.

Acusações de crime eleitoral

Vilas Boas afirmou que, em 2024, impediu que a ex-servidora e um ex-superintendente realizassem distribuição de material de campanha dentro da RBTrans, fato que, segundo ele, é vedado por lei. Ele disse que essa postura pode ter motivado represálias e reiterou ter “ficha limpa” e relação direta com órgãos como o Tribunal Regional Eleitoral.

Defesa da presunção de inocência

O superintendente questionou o fato de a denúncia não ter sido registrada em delegacia à época e disse que a influenciadora permaneceu pouco tempo na RBTrans. Ele afirmou que irá solicitar a quebra de sigilos telefônicos para apurar a origem das acusações e identificar servidores que, segundo ele, estão por trás da mobilização contra sua permanência no cargo.

“É preciso respeitar a presunção de inocência. Se tivesse fato verídico, teria sido levado ao Ministério Público. Vou registrar quantas queixas forem necessárias e confio que a Justiça vai provar minha inocência”, declarou.

A denúncia formalizada deverá ser encaminhada ao Ministério Público do Acre, que decidirá sobre eventual abertura de investigação. Enquanto isso, o debate sobre o afastamento temporário de Vilas Boas segue em discussão na Câmara Municipal de Rio Branco.

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