A morte do pequeno Moisés Falk Silva, de 4 anos, filho da acreana Larissa de Araújo Falk, tem repercutido em Florianópolis e no Acre. Novas informações apontam que o Conselho Tutelar já havia sido acionado meses antes da morte da criança, após registros de agressões e suspeitas de maus-tratos.
Segundo a Polícia Civil, em maio deste ano o menino ficou internado por 12 dias no Hospital Infantil Joana de Gusmão, situação em que os médicos relataram lesões compatíveis com agressões. À época, a mãe chegou a registrar um boletim de ocorrência e o Conselho Tutelar foi chamado. No entanto, o menino retornou para casa e, menos de três meses depois, morreu vítima de múltiplos traumas.

Moisés morreu no último domingo com suspeitas de maus-tratos/ Foto: Reprodução
O laudo oficial apontou que Moisés sofreu choque hipovolêmico decorrente de ação contundente, com marcas de espancamento “paulatinamente ao longo de meses até a sua morte”.
Histórico de agressões
De acordo com o site NSC Total, em 10 de maio, médicos registraram manchas persistentes no corpo do menino, levantando suspeita de violência. A mãe, no entanto, afirmou desconfiar de uma babá e chegou a trocá-la, mas “deixou o filho novamente aos cuidados do companheiro”, como descreve trecho do relatório policial.
No dia 22 de maio, Moisés voltou a ser internado com hematomas no rosto, orelhas, abdômen, lábios e escoriações nas mãos e face, sinais interpretados pelos médicos como fortemente sugestivos de maus-tratos. No dia seguinte, a mãe prestou depoimento na delegacia, reforçando a suspeita contra a babá, mas não contra o companheiro.
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O diretor de Polícia da Grande Florianópolis, Pedro Mendes, afirmou em entrevista que já havia inquérito aberto na Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e Idoso para investigar as agressões, e que o Conselho Tutelar acompanhava o caso. Em nota, o Conselho Tutelar de Florianópolis disse que seus atendimentos são sigilosos e só podem ser acessados por autoridades competentes, como Ministério Público e Judiciário. O órgão lamentou a morte e não deu detalhes sobre as providências adotadas.
A 9ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital informou que vai apurar se houve falhas na rede de proteção da criança. A promotora Luana Pereira Neco da Silva destacou que os conselheiros enfrentam sobrecarga de trabalho e falta de estrutura. O Ministério Público de Santa Catarina também anunciou a abertura de um procedimento interno para verificar se houve omissões por parte dos órgãos responsáveis.
Prisões e decisões judiciais
Após a morte de Moisés, no último domingo (17), a mãe e o padrasto foram presos em flagrante. O menino chegou desacordado ao MultiHospital, no bairro Carianos, levado por vizinhos. Ele apresentava mordida na bochecha, hematomas no abdômen e nas costas. Apesar das tentativas de reanimação, o óbito foi confirmado.
Nesta segunda-feira (18), a Justiça concedeu liberdade provisória a Larissa, que está grávida, mediante medidas cautelares, como comparecimento em juízo, proibição de deixar a comarca e recolhimento domiciliar noturno. O magistrado avaliou que ela não representava risco imediato às investigações. Já o padrasto, Richard da Rosa Rodrigues, apontado como principal suspeito das agressões, teve a prisão convertida em preventiva diante de contradições no depoimento e indícios de participação direta na morte.
