A morte do pequeno Moisés Falk Silva, de apenas 4 anos, no último domingo (17), em Florianópolis, revelou uma triste rotina de violência sofrida pela criança. Em entrevista ao Cidade Alerta, da NDTV RECORD, uma vizinha relatou que o menino era alvo constante de agressões e que os responsáveis tentavam disfarçar os sinais de maus-tratos.
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Segundo a testemunha, que preferiu não ser identificada, os hematomas no corpo da criança eram explicados pela mãe como resultado de uma suposta doença. “Apareceram primeiro nas costas, como se alguém tivesse empurrado ele, ou caído com as costas batidas. Ligamos para a professora da escola e a professora disse que ele não caiu. Perguntávamos para a mãe o que tinha acontecido com ele e ela dizia que era uma doença autoimune que estava sendo investigada, mas nunca achavam o que era”, contou ao programa.

‘Ele vivia roxo’: vizinha revela rotina de agressões contra menino morto em Florianópolis/Foto: Reprodução
Com o tempo, os sinais de violência ficaram ainda mais evidentes. “Ele ficou todo roxo, cheio de marcas no corpo, costas, pernas. A orelha dele, parecia que tinham apertado, estava com coágulos”, detalhou.
De acordo com a vizinha, Moisés passava a maior parte do dia sozinho, enquanto a mãe e o padrasto dormiam até tarde. Pouco antes de morrer, o menino tentou se comunicar com ela. “Ele saiu andando pela porta e parou na minha frente. Eu perguntei se estava tudo bem e, como ele não falava, não ia me responder. Ele ficou me olhando, colocou a mão na barriga e se abaixou. Ele abria e fechava os olhos pra mim. Chamei outras pessoas para ver, aí o padrasto dele veio e colocou ele pra dentro”, relatou.

Rrichard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, e a mãe da criança morta em Florianópolis. Foto: Felipe Sayão/NDTV
Horas depois, a notícia da morte chegou. “Quando ele saiu daqui, a gente já imaginava que o pior viria a acontecer, mas a gente sempre quer acreditar que não vai acontecer”, lamentou.
No hospital, a equipe médica constatou marcas de agressões pelo corpo do menino, incluindo sinais semelhantes a mordidas no rosto e socos na região abdominal.
O padrasto de Moisés, Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, foi preso preventivamente e é apontado como o principal suspeito das agressões. A mãe do menino, de 24 anos, chegou a ser detida em flagrante, mas foi liberada após audiência de custódia e segue em liberdade mediante medidas cautelares. Ela está grávida do companheiro.
O delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital, confirmou em entrevista ao Cidade Alerta que a criança já era acompanhada por denúncias de maus-tratos. “Já havia registro de maus-tratos contra essa criança e os laudos indicavam que ela tinha sido vítima de lesões”, afirmou.
Em nota enviada ao portal ND Mais, o Ministério Público de Santa Catarina informou que instaurou um procedimento para apurar possíveis falhas no atendimento do caso. A instituição ressaltou a necessidade de reforçar a rede de proteção de crianças e adolescentes, destacando que sinais de violência precisam ser identificados e comunicados com urgência.
