‘Ele vivia roxo’: vizinha revela rotina de agressĂ”es contra filho de acreana que foi morto em SC

“Ele ficou todo roxo, cheio de marcas no corpo, costas, pernas. A orelha dele, parecia que tinham apertado, estava com coágulos”, detalhou

Por Redação ContilNet 19/08/2025 Atualizado: hå 8 meses

A morte do pequeno MoisĂ©s Falk Silva, de apenas 4 anos, no Ășltimo domingo (17), em FlorianĂłpolis, revelou uma triste rotina de violĂȘncia sofrida pela criança. Em entrevista ao Cidade Alerta, da NDTV RECORD, uma vizinha relatou que o menino era alvo constante de agressĂ”es e que os responsĂĄveis tentavam disfarçar os sinais de maus-tratos.

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Segundo a testemunha, que preferiu nĂŁo ser identificada, os hematomas no corpo da criança eram explicados pela mĂŁe como resultado de uma suposta doença. “Apareceram primeiro nas costas, como se alguĂ©m tivesse empurrado ele, ou caĂ­do com as costas batidas. Ligamos para a professora da escola e a professora disse que ele nĂŁo caiu. PerguntĂĄvamos para a mĂŁe o que tinha acontecido com ele e ela dizia que era uma doença autoimune que estava sendo investigada, mas nunca achavam o que era”, contou ao programa.

crianca morta florianopolis

‘Ele vivia roxo’: vizinha revela rotina de agressĂ”es contra menino morto em FlorianĂłpolis/Foto: Reprodução

Com o tempo, os sinais de violĂȘncia ficaram ainda mais evidentes. “Ele ficou todo roxo, cheio de marcas no corpo, costas, pernas. A orelha dele, parecia que tinham apertado, estava com coĂĄgulos”, detalhou.

De acordo com a vizinha, MoisĂ©s passava a maior parte do dia sozinho, enquanto a mĂŁe e o padrasto dormiam atĂ© tarde. Pouco antes de morrer, o menino tentou se comunicar com ela. “Ele saiu andando pela porta e parou na minha frente. Eu perguntei se estava tudo bem e, como ele nĂŁo falava, nĂŁo ia me responder. Ele ficou me olhando, colocou a mĂŁo na barriga e se abaixou. Ele abria e fechava os olhos pra mim. Chamei outras pessoas para ver, aĂ­ o padrasto dele veio e colocou ele pra dentro”, relatou.

Rrichard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, e a mĂŁe da criança morta em FlorianĂłpolis – Foto: Felipe SayĂŁo/NDTV

Rrichard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, e a mãe da criança morta em Florianópolis. Foto: Felipe Sayão/NDTV

Horas depois, a notícia da morte chegou. “Quando ele saiu daqui, a gente já imaginava que o pior viria a acontecer, mas a gente sempre quer acreditar que não vai acontecer”, lamentou.

No hospital, a equipe médica constatou marcas de agressÔes pelo corpo do menino, incluindo sinais semelhantes a mordidas no rosto e socos na região abdominal.

O padrasto de MoisĂ©s, Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos, foi preso preventivamente e Ă© apontado como o principal suspeito das agressĂ”es. A mĂŁe do menino, de 24 anos, chegou a ser detida em flagrante, mas foi liberada apĂłs audiĂȘncia de custĂłdia e segue em liberdade mediante medidas cautelares. Ela estĂĄ grĂĄvida do companheiro.

O delegado Alex Bonfim, da Delegacia de HomicĂ­dios da Capital, confirmou em entrevista ao Cidade Alerta que a criança jĂĄ era acompanhada por denĂșncias de maus-tratos. “JĂĄ havia registro de maus-tratos contra essa criança e os laudos indicavam que ela tinha sido vĂ­tima de lesĂ”es”, afirmou.

Em nota enviada ao portal ND Mais, o MinistĂ©rio PĂșblico de Santa Catarina informou que instaurou um procedimento para apurar possĂ­veis falhas no atendimento do caso. A instituição ressaltou a necessidade de reforçar a rede de proteção de crianças e adolescentes, destacando que sinais de violĂȘncia precisam ser identificados e comunicados com urgĂȘncia.

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