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Filho de acreana morto em Florianópolis tinha histórico de maus-tratos, aponta prontuário médico

Por Suene Almeida, ContilNet

O caso da morte de Moisés Falk Silva, de 4 anos, em Florianópolis (SC), segue sob investigação e levanta suspeitas de falhas na rede de proteção infantil. Filho de uma acreana, o menino apresentava marcas de agressões desde abril, conforme registros hospitalares divulgados pela imprensa catarinense.

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O prontuário médico aponta que a criança havia sido atendida pelo menos três vezes antes da morte com hematomas em várias partes do corpo. Em uma dessas ocasiões, médicos registraram escoriações compatíveis com sinais de defesa, o que reforçou a suspeita de maus-tratos. Ainda assim, Moisés continuou sob os cuidados da mãe e do padrasto.

A equipe médica tentou reanimá-lo por mais de 40 minutos/ Foto: Reprodução

No domingo (17), o menino chegou desacordado ao hospital, levado pelo padrasto Richard da Rosa Rodrigues, de 23 anos. Ele apresentava hematomas nas costas, no tórax e até uma mordida no rosto. A equipe médica tentou reanimá-lo por mais de 40 minutos, mas a morte foi confirmada às 14h24.

O padrasto foi preso em flagrante no mesmo dia e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. A mãe da criança, grávida de seis meses, foi liberada mediante medidas cautelares. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) afirmou que vai apurar possíveis falhas institucionais e responsabilizar os envolvidos.

Relatos de vizinhos reforçam a suspeita de violência. Segundo informações do site ND+, uma moradora contou que, horas antes da morte, o menino tentou pedir ajuda, apontando para a barriga e abaixando-se em sinal de dor. Pouco depois, o padrasto o levou de volta para casa. Mais tarde, retornou com Moisés desacordado nos braços, pedindo socorro.

A criança havia passado pela UPA no sábado (16), um dia antes da morte, por conta de sintomas gripais, mas foi liberada. Meses antes, em maio, já havia dado entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão com hematomas pelo rosto, abdômen, pernas e pés. Na ocasião, a equipe médica notificou os órgãos de proteção, classificando o caso como “síndrome de maus-tratos”.

O laudo preliminar do Instituto Médico Legal confirmou múltiplos ferimentos pelo corpo, compatíveis com agressões. O caso segue em investigação pela Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami) de Florianópolis.

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