LĂ­der cientĂ­fica da COP30 defende mutirĂŁo contra emergĂȘncia climĂĄtica

Por AgĂȘncia Brasil 26/08/2025


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Por trĂĄs das negociaçÔes polĂ­ticas que ocorrerĂŁo na ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudanças ClimĂĄticas (COP30) em BelĂ©m, estarĂĄ um grupo de cientistas abastecendo as autoridades brasileiras com dados tĂ©cnicos.ebcebc

Mesmo com o nĂșmero grande de desafios pela frente, a coordenadora do grupo, a pesquisadora Thelma Krug, estĂĄ otimista de que o evento terĂĄ resultados positivos.

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Ela tem um currículo que a credencia como uma das maiores especialistas mundiais quando o assunto é clima e meio ambiente. Ligada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esteve em cargos de liderança no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) de 2002 a 2023. Chegou a ser vice-presidente do IPCC.

“A gente tem que levar uma voz de esperança. SĂł vemos notĂ­cias ruins sobre a emergĂȘncia climĂĄtica. E isso tem provocado problemas de saĂșde mental, principalmente nos mais jovens. A gente precisa falar que jĂĄ fez muita coisa nesses Ășltimos dez anos, por exemplo. Sabemos das dificuldades, mas precisamos agir, fazer esse mutirĂŁo para buscarmos nossas metas na COP30”, disse Thelma Krug.

A pesquisadora esteve no evento “Esse tal Efeito Estufa”, organizado pelo Instituto Clima e Sociedade no Rio de Janeiro.

O Conselho CientĂ­fico sobre o Clima Ă© composto por 11 cientistas, seis do Brasil e cinco do exterior, e vai assessorar diretamente o presidente da COP30, o embaixador AndrĂ© CorrĂȘa do Lago, antes e durante o evento.

Nas Ășltimas semanas, o grupo focou os debates sobre as possibilidades de remoção do diĂłxido de carbono na atmosfera. O entendimento Ă© de que serĂĄ muito difĂ­cil chegar atĂ© 2050 com zero emissĂ”es de CO2, requisito necessĂĄrio para limitar o aquecimento global em 1,5ÂșC. Discutiram-se necessidade de implementação de reflorestamentos de larga escala, possibilidade de retirar CO2 e injetar em sĂ­tios geolĂłgicos oceĂąnicos.


Rio de Janeiro (RJ), 26/08/2025 – A cientista  Thelma Krug participa do debate

Rio de Janeiro (RJ), 26/08/2025 – A cientista Thelma Krug participa do debate “Esse tal de efeito estufa” na Rio Climate Action Week. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Mesmo com tantas questĂ”es cientĂ­ficas complexas em discussĂŁo, Thelma Krug diz estar mais preocupada com a manutenção da unidade dos paĂ­ses nos esforços para combater a emergĂȘncia climĂĄtica.

“É um processo muito complicado. VocĂȘ tem mais de 190 paĂ­ses que precisam chegar a decisĂ”es por consenso. PaĂ­ses completamente diferentes, que sofrem com a mudança do clima de maneiras distintas. Por isso, para mim se a gente puder falar de sucesso da COP30, vai ser a manutenção do multilateralismo. Principalmente com a saĂ­da dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Isso nĂŁo pode contaminar a COP30”, analisa a cientista.

A pesquisadora defende uma agenda de açÔes climåticas mais extensa, que não foque excessivamente nas questÔes de financiamento por parte dos países mais ricos.

“O financiamento Ă© importante, mas a gente nĂŁo pode parar nessa expectativa de que o dinheiro vai vir. Eu nĂŁo tenho esperança disso. Algumas pessoas acham que a gente deveria focar muito no financiamento, quando na verdade nĂŁo vai sair agora. A gente tem que buscar o mutirĂŁo para buscar um conjunto de açÔes”, diz a cientista.

“Na agenda de ação climĂĄtica, a gente tem tantos objetivos chaves: a transação energĂ©tica, agricultura, equidade. E eu tenho a certeza de que a partir daĂ­ a gente vai conseguir ter avanços mais operacionais, mais de implementação e que nĂŁo fique naquela questĂŁo de ficar cobrando financiamento”, complementa.

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