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Queda de avião que matou casal que morou no Acre completa 1 ano; relembre a tragédia

Por Geovany Calegário, ContilNet

No dia 9 de agosto de 2024, o Brasil viveu seu maior acidente aéreo em quase duas décadas. Um avião da Voepass, que partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto de Guarulhos (SP), caiu na cidade de Vinhedo, interior paulista, matando todas as 62 pessoas a bordo.

Investigações seguem sem conclusão e famílias aguardam respostas/Foto: Reprodução

Um ano depois, as causas exatas do acidente ainda não foram oficialmente determinadas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) segue analisando dados e componentes recuperados, com previsão de divulgar o relatório final até o fim de 2025. Relatórios preliminares indicam que o clima adverso favoreceu a formação severa de gelo nas asas, comprometendo a sustentação da aeronave. Há suspeitas de falha no sistema de degelo pneumático, que chegou a ser acionado e desligado três vezes antes da perda de controle. Um copiloto chegou a registrar verbalmente a presença de “bastante gelo” segundos antes da queda.

Apontamentos indicam falhas mecânicas e omissões na manutenção; empresa foi cassada/Foto: Reprodução

Investigações apontam que a falha teria sido detectada horas antes por outro piloto, mas não foi registrada oficialmente, o que permitiu que o avião voasse mesmo em rota com risco de gelo. Segundo depoimentos, a pressão da chefia para evitar que aeronaves ficassem paradas poderia ter contribuído para omissões.

Além do Cenipa, a Polícia Federal conduz inquérito para responsabilizar os culpados, mas aguarda a conclusão do relatório técnico. Já a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou definitivamente o certificado de operação da Voepass em junho de 2025, após constatar que a empresa operou milhares de voos com aeronaves em condições inadequadas de manutenção.

Além do Cenipa, a Polícia Federal conduz inquérito para responsabilizar os culpados, mas aguarda a conclusão do relatório técnico/Foto: Reprodução

Na próxima quarta-feira (13), a Câmara dos Deputados votará o relatório final da comissão externa que investigou o caso. O documento, elaborado pelo deputado Padovani (União-PR), critica a atuação “hesitante” da Anac, aponta falhas dos pilotos e reforça a importância das gravações da cabine. Também propõe a criação de um comitê coordenado pela Anac para melhorar o atendimento a vítimas e familiares.

O cenário encontrado pelas equipes de resgate foi descrito como desolador. A retirada dos corpos se estendeu por dois dias e envolveu mais de 40 médicos legistas, que identificaram todas as vítimas em menos de uma semana. Laudos apontaram que todos morreram instantaneamente por politraumatismo.

As histórias por trás da tragédia

Entre as 62 vítimas do acidente, destacam-se diversas histórias de vida interrompidas abruptamente. Um dos casos que chama atenção é o do casal Daniela Schulz e Hiales Froda, que ocupavam os assentos 1B e 1A do avião.

Daniela Schulz e Hiales Froda tinham planos de abrir a própria academia/Foto: Reprodução

Daniela era fisiculturista e empreendedora, conhecida por sua dedicação ao esporte e pelo tempo que morou no Acre, onde mantinha uma loja de produtos esportivos em Rio Branco. Seu marido, Hiales, era Policial Rodoviário Federal (PRF) e também passou parte da vida no Acre. Juntos, tinham planos de abrir uma academia, um sonho que não poderá ser realizado.

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No dia da viagem, Daniela chegou a compartilhar em suas redes sociais vídeos falando sobre a expectativa da jornada rumo aos Estados Unidos. “Hoje foi bem corrido porque nós começamos a nossa saga para viajar. Bastante horas de espera de voo. Se Deus quiser vai dar tudo certo”, disse ela poucas horas antes do acidente. O médico Gustavo Musial, que acompanhava a carreira de Daniela no fisiculturismo e que também morou no Acre, manifestou tristeza nas redes sociais: “Que dia triste, eu só queria que essa notícia não fosse verdade”.

Casal viveu no Acre durante anos/Foto: Reprodução

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Além do casal, outras vítimas de diferentes origens, como estudantes, profissionais e famílias, estavam a bordo. Entre os 62 mortos, 35 eram do Paraná, incluindo pessoas de Cascavel e cidades vizinhas, veja algumas histórias:

Família venezuelana/Foto: Reprodução

Pai e filha de férias/Foto: Reprodução

Até o momento, o relatório final do Cenipa não foi divulgado, e a investigação segue em andamento. A Voepass, por sua vez, não possui mais autorização para operar voos comerciais desde a cassação de seu certificado pela Anac. Enquanto isso, familiares das vítimas aguardam a conclusão oficial para que as responsabilidades sejam definidas e eventuais medidas judiciais possam ser tomadas

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