Crise entre Venezuela e EUA preocupa, diz ministro da Defesa do Brasil

Por AgĂȘncia Brasil 06/09/2025 Ă s 12:36


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O ministro da Defesa, JosĂ© MĂșcio, disse que tem a preocupação de que a crise entre Venezuela e Estados Unidos (EUA) possa chegar Ă  fronteira do Brasil e lembrou que as Forças Armadas enviaram reforços para regiĂŁo antes do inĂ­cio das tensĂ”es das Ășltimas semanas. Crise entre Venezuela e EUA preocupa, diz ministro da Defesa do BrasilCrise entre Venezuela e EUA preocupa, diz ministro da Defesa do Brasil

“Estamos preocupados, como eu disse, com a nossa fronteira, para que ela nĂŁo sofra e nĂŁo transforme a nossa fronteira numa trincheira. O Brasil Ă© um paĂ­s pacĂ­fico. NĂłs investimos em armas, nas nossas forças, para defender o nosso patrimĂŽnio. NĂŁo Ă© de olho na terra de ninguĂ©m”, comentou MĂșcio na sexta-feira (5), apĂłs encontro com o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva.

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O ministro explicou que o Brasil mantém operaçÔes permanentes na fronteira com a Venezuela e, em 2024, havia programado para este ano a Operação Atlas, antes do agravamento da tensão entre Caracas e Washington.

“NĂłs estamos deslocando tropas para fronteiras, pensando na COP30, pensando em dar uma maior assistĂȘncia a uma parte da fronteira mais inĂłspita, mais inacessĂ­vel. De repente, estourou esse problema. A pessoa [diz] ‘foi lĂĄ para ajudar a Venezuela’. [NĂŁo] foi lĂĄ para nĂŁo ajudar ninguĂ©m”, acrescentou o ministro.

Em dezembro de 2023, o Brasil enviou tropas para a Fronteira com a Venezuela no contexto das tensÔes entre o governo de Nicolas Maduro e a Guiana, que disputam o controle da região de Essequibo. 

‘Briga de vizinho’

Sobre a crise entre Venezuela e EUA, que tem escalado nas Ășltimas semanas, o ministro JosĂ© MĂșcio disse que a situação Ă© como “briga de vizinho”.

“Isso Ă© como briga de vizinho. Eu nĂŁo quero que eles mexam no meu muro. Eu nĂŁo quero que eles tirem a fiação que acende a frente da minha casa, que nĂŁo mexam na minha casa, torcemos para que passe. Evidentemente, Eles devem ter os seus motivos”, comentou.

Nessa semana, o Brasil assinou documento em parceria com a maioria dos países da América Latina e Caribe, manifestando preocupação com a presença militar dos Estados Unidos na costa da Venezuela. 

Crise militar

O governo Donald Trump vem deslocando navios e um submarino militares para a costa venezuelana, sob o argumento do “combate às drogas”, enquanto acusa o governo de Nicolas Maduro de liderar um cartel narcotraficante.

Maduro rejeita as acusaçÔes e diz que Washington usa esse argumento para promover uma “troca de regime” do paĂ­s sul-americano, dono das maiores reservas de petrĂłleo do mundo. Especialistas consultados pela AgĂȘncia Brasil rejeitaram chamar a Venezuela de “narcoestado”, como diz o governo Trump. 

Nesse såbado (6), o presidente Maduro pediu para que os Estados Unidos (EUA) reduzam as tensÔes para evitar um conflito.

“O governo dos Estados Unidos deve abandonar seu plano de mudança violenta de regime na Venezuela e em toda a AmĂ©rica Latina e o Caribe e respeitar a soberania, o direito Ă  paz, Ă  independĂȘncia”, disse o presidente venezuelano.

Últimos desdobramentos

Na quinta-feira (4), em comunicado, o Departamento de Defesa dos EUA acusou a Venezuela de sobrevoar, com aeronaves militares, prĂłximo a um navio dos EUA, supostamente em ĂĄguas internacionais.

“Este movimento altamente provocador foi concebido para interferir nas nossas operaçÔes anti-narcoterrorismo”, disse o PentĂĄgono em comunicado. A Venezuela nĂŁo comentou essa acusação.

Em seguida, agĂȘncias internacionais de notĂ­cias, com base em fontes nĂŁo identificadas, informaram que os EUA enviaram dez caças F-35 para Porto Rico, ilha caribenha que Ă© territĂłrio estadunidense.

Segundo a Reuters, a medida seria para “conduzir operaçÔes contra cartĂ©is de drogas, disseram duas fontes informadas sobre o assunto”. Os caças seriam adicionados Ă  forte presença militar dos EUA no sul do Caribe.

Na Ășltima terça-feira (2), Donald Trump divulgou vĂ­deo de um ataque a um pequeno barco supostamente carregando drogas prĂłximo Ă  Venezuela, o que teria assassinado 11 pessoas. O governo Maduro acusa os EUA de terem usado inteligĂȘncia artificial em vĂ­deo do ataque. 

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