A Justiça Federal confirmou que a tese de doutorado defendida em 2011 por Ludimilla Carvalho Serafim de Oliveira, ex-reitora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), contém plágio sistemático. O laudo pericial, assinado por duas peritas judiciais, conclui que o trabalho apresenta “falsa aparência de autoria e originalidade”, com trechos copiados de dissertações, livros e artigos sem atribuição adequada.
A principal fonte plagiada foi a dissertação de Karisa Lorena Carmo Barbosa Pinheiro (UFRN, 2006), mas o relatório aponta a reprodução irregular de ao menos 21 documentos. Segundo as peritas, cerca de 60% do conteúdo analisado corresponde a textos de outros autores. A prática incluiu cópias literais sem aspas, paráfrases mantendo a estrutura original e colagem de parágrafos inteiros.

Caso veio à tona em 2020, durante nomeação da ex-reitora pelo presidente Bolsonaro/Foto: Reprodução
O caso veio a público em setembro de 2020, quando a Agência Saiba Mais revelou indícios de plágio. A denúncia repercutiu nacionalmente porque, naquele mesmo ano, Ludimilla havia sido nomeada reitora da UFERSA pelo então presidente Jair Bolsonaro, mesmo tendo ficado em terceiro lugar na consulta à comunidade acadêmica. A escolha reforçou a estratégia do governo de intervir nas universidades federais, nomeando candidatos menos votados.
Desde então, a tese de Ludimilla passou por diversas análises e disputas judiciais. Em junho de 2023, a UFRN anulou o título de doutorado após constatar irregularidades em 44% do texto. Em seguida, decisões judiciais suspenderam temporariamente a cassação, enquanto a defesa alegava prescrição administrativa.
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Em agosto de 2025, o laudo pericial da Justiça Federal consolidou a confirmação de plágio, classificando a prática como recorrente e deliberada. O documento reforça que a autenticidade do título foi comprometida, caracterizando infração à legislação de direitos autorais e às normas da produção científica.
O caso expõe não apenas a fragilidade no controle da integridade acadêmica, mas também o contexto político em que Ludimilla ascendeu ao cargo de reitora, marcado por disputas entre autonomia universitária e intervenção governamental.
