Nesta segunda-feira (29), o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva homenageou diversas personalidades do paĂs, de todos os tempos, na abertura da 5ÂȘ ConferĂȘncia Nacional de PolĂticas para as Mulheres (5ÂȘ CNPM), em BrasĂlia, que tem o lema Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas.

O discurso do presidente tambĂ©m homenageou as cerca de 4 mil mulheres presentes no evento, sem esquecer das mulheres anĂŽnimas que lutam para fazer do Brasil um paĂs mais desenvolvido e menos desigual.
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“O futuro da humanidade Ă© feminino”, afirmou Lula.
Em entrevista a jornalistas, a ministra das Mulheres, Mårcia Lopes, lembrou que no próximo ano ocorrerão eleiçÔes e que candidatos que não respeitam as mulheres não devem ser votados.
âEm vĂĄrios espaços, as mulheres sĂŁo aviltadas nos seus direitos, sĂŁo ofendidas por serem mulheres. HĂĄ homens, infelizmente, que nĂŁo se conformam em ver a mulher autĂŽnoma, livre, potente, uma mulher que quer decidir. No ano que vem, vamos votar em mulheres e homens que tenham compromisso com a vida de todas as mulheres desse paĂsâ, defendeu.
Voz Ă s mulheres
A 5ÂȘ CNPM abriu os microfones para dar voz Ă representação plural de mulheres da sociedade civil, durante a cerimĂŽnia de inĂcio da mobilização nacional.
Representante Marcha das Mulheres Negras e coordenadora executiva do FĂłrum Nacional de Mulheres, ClĂĄtia Vieira anunciou a construção da 2ÂȘ Marcha Nacional de Mulheres Negras, em BrasĂlia, em 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da ViolĂȘncia Contra as Mulheres.Â
Ela questionou a falta de polĂticas pĂșblicas efetivas para as mulheres negras, a maioria da população brasileira.Â
âPrecisamos de prĂĄticas antirracistas. Isso Ă© para ontem e urgente, Ă© pela vida das mulheres negras, das mulheres. Mas, sobretudo, Ă© pela vida do povo pretoâ, afirmou.
Em sua fala, a representante do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM), IyĂĄ Sandrali Bueno, explicou que a interseccionalidade Ă© uma abordagem para dizer que nĂŁo hĂĄ democracia possĂvel sem a centralidade das mulheres negras.Â
âA interseccionalidade, conceito do movimento feminista negro que busca efetiva justiça social pela identificação e desarticulação de opressĂ”es combinadas por raça etnia, sexualidade, identidade de gĂȘnero, nĂŁo Ă© um enfeite no regimento interno da 5ÂȘ ConferĂȘncia. A interseccionalidade Ă© nosso princĂpio maior. Ă um princĂpio civilizatĂłrioâ, disse.
O pronunciamento da representante da Marcha das Margaridas, Melissa Vieira, celebrou o retorno da conferĂȘncia apĂłs quase uma dĂ©cada e destacou o papel das mulheres do campo, das ĂĄguas e das florestas em tirar o Brasil do Mapa da Fome da Organização das NaçÔes Unidas (ONU), mais uma vez.Â
âSomos nĂłs, mulheres de saberes ancestrais, que alimentam o Brasil com comida de verdade, com alimento saudĂĄvel, com agroecologia. Somos nĂłs quem temos a potĂȘncia de transformar luto em lutaâ, afirmou.
Josy Kaigang, liderança da primeira Marcha das Mulheres IndĂgenas, em agosto, que contou com cerca de 5 mil participantes, aponta que a conferĂȘncia Ă© fruto das lutas das mulheres dos sete biomas brasileiros. A indĂgena quer que os povos originĂĄrios sejam ouvidos na construção de polĂticas pĂșblicas, e mencionou a luta pela demarcação de terras.Â
âSeguimos lutando para que mais mulheres indĂgenas sigam âaldeandoâ o Estado, âaldeandoâ a polĂtica, e pela demarcação das nossas terras indĂgenas e quilombolas. Que a gente possa continuar lutando por soberania nacional, pela Palestina livre e para dizer que lugar de mulher Ă© onde ela quiserâ, defendeu Josy Kaigang.
Pela visibilidade das pessoas trans, a travesti Bruna Benevides cobrou a ocupação de 50% de mulheres nos parlamentos, cotas trans em concursos e universidades para abrir portas para metade da população ainda Ă© sub-representada em espaços de poder.Â
A travesti tambĂ©m defende o direito ao aborto livre e seguro para todas as mulheres e luta contra a exploração de crianças e de adolescentes.Â
âEstamos aqui, e nĂŁo arredaremos o pĂ©. Defendemos justiça econĂŽmica, reprodutiva, racial e climĂĄtica como pilares do Estadoâ, afirmou.
Por fim, a membro da Articulação Brasileira de LĂ©sbicas (ABL) e representante da Caminhada de LĂ©sbicas e Bissexuais (Les-Bi) de SĂŁo Paulo, JanaĂna Farias, descreveu a falta de polĂticas pĂșblicas especĂficas para a saĂșde de mulheres lĂ©sbicas e bissexuais, mesmo diante de dados que a ativista classifica como alarmantes.Â
âPrecisamos de polĂticas pĂșblicas de saĂșde que fomentem a ida a mĂ©dicos e a busca por cuidado em saĂșde por nĂłsâ, cobrou JanaĂna.
âNossas vidas nĂŁo cabem em ‘armĂĄrios’. Seguimos juntas, organizadas e sempre resistentes. Seguiremos sempre em rede pela vida e pela liberdade de ser quem somos. NĂŁo aceitamos nenhuma de nĂłs [lĂ©sbicas e bissexuais] a menosâ.

