Pesquisa recomenda açÔes de prevenção ao HPV focadas em pessoas trans

Por AgĂȘncia Brasil 07/09/2025 Ă s 08:36


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Dados preliminares de uma pesquisa feita com pessoas transgĂȘnero atendidas em dois centros de referĂȘncia no Rio de Janeiro e em SĂŁo Paulo detectaram uma alta prevalĂȘncia de HPV de alto risco para desenvolvimento de cĂąncer. Para os pesquisadores, isso reforça a necessidade de açÔes de prevenção direcionadas para essa população, como a vacinação e a testagem preventiva.Pesquisa recomenda açÔes de prevenção ao HPV focadas em pessoas transPesquisa recomenda açÔes de prevenção ao HPV focadas em pessoas trans

A pesquisa estĂĄ sendo desenvolvida pela farmacĂȘutica MSD em parceria com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, e com o Centro de ReferĂȘncia e Treinamento-DST/AIDS de SĂŁo Paulo. No total, a pesquisa vai testar 300 pessoas transgĂȘnero, mas dados de 150 delas jĂĄ foram divulgados e mostram que 53,3% tem algum subtipo do vĂ­rus, prevalĂȘncia semelhante Ă  mĂ©dia nacional.

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No entanto, 97,5% dessas infecçÔes são por subtipos do papiloma com alto risco de desenvolverem cùncer, percentual bem acima da proporção da população em geral, que oscila entre 39,8% e 53,1%.

“A gente sabe que essa Ă© uma população marginalizada, e muitas dessas pessoas sĂŁo profissionais do sexo, que estĂŁo o tempo todo ali, entrando em contato com parcerias diferentes e que tĂȘm maior risco de exposição. Inclusive, elas costumam procurar esses Centros para fazer algum tratamento ou teste de HIV, e tanto o HIV quanto o HPV, sĂŁo cofatores para infecção um do outro”, ressalta Estevan Baldon, gerente mĂ©dico da MSD Brasil e um dos autores do estudo.

A maior parte das infecçÔes foi detectada na regiĂŁo anal, mas tambĂ©m foram encontradas casos de HPV genital, oral e cervical. Apesar de ser mais conhecido pelo risco de causar cĂąncer de colo do Ăștero, o HPV tambĂ©m pode se instalar nessas regiĂ”es e causar lesĂ”es, que podem evoluir para cĂąncer.

“Muitos profissionais da saĂșde que estĂŁo fora desses centros especializados acham que essas pessoas nĂŁo precisam fazer acompanhamento para HPV. A gente tem uma dificuldade muito grande de conscientizar, que a mulheres trans que fazem sexo anal, tĂȘm o risco de HPV, que o homem trans que ainda tem Ăștero tem risco de HPV”, complementa o pesquisador.

Para Baldon, um dos principais alertas do estudo é a necessidade de criar um protocolo de rastreio do HPV anal, para pessoas com risco aumentado da doença:

“Porque o Ășnico cĂąncer relacionado ao HPV que a gente tem rastreamento Ă© o cĂąncer de colo de Ăștero. Primeiro, com o papanicolau, e agora com o exame de HPV DNA. Mas ele vai continuar sendo coletado apenas no colo de Ăștero, e ele poderia ser feito nessas outras regiĂ”es. EntĂŁo, a gente precisa trazer esses dados, para mostrar que existe a infecção, e que essas pessoas recisam fazer o rastreio do HPV anal tambĂ©m. E, se for identificado HPV de alto risco, elas precisam passar por por uma anuscopia para ver se existe alguma lesĂŁo, fazer uma biĂłpsia, para diagnosticar e tratar”.

Vacinação

O pesquisador tambĂ©m acredita que os dados podem embasar mudanças na polĂ­tica de vacinação contra o HPV: “Se a gente mostrar que a infecção pelo HPV Ă© alta e de alto risco nessa população, mesmo que numa amostra pequena, Ă© importante que o Programa Nacional de Imunização, o MinistĂ©rio da SaĂșde, olhe para isso, para incluir essas pessoas na vacinação contra o HPV tambĂ©m”.

Atualmente, a vacina contra o HPV Ă© oferecida pelo Sistema Único de SaĂșde a todas as pessoas, entre os 9 e 14 anos. Depois disso, tĂȘm acesso à vacina apenas pessoas que vivem com HIV, usuĂĄrios de Prep, vĂ­timas de violĂȘncia sexual e pacientes portadores de Papilomatose RespiratĂłria Recorrente.

 

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