O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), disse que tentou falar duas vezes com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, nesta terça-feira (28), para tratar da megaoperação contra o Comando Vermelho. Segundo ele, porém, o ministro não o atendeu. A declaração foi dada em entrevista ao Boletim Metrópoles.
Lewandowski esteve hoje no Ceará para receber um título de cidadão honorário, outorgado pela Assembleia Legislativa do estado. Ele não cancelou a agenda, mesmo diante das cenas de guerra no Rio. Ao contrário: disse que hoje “um dia de festa”, e que estava “muito feliz” com a homenagem.
Na entrevista, Castro afirmou que conversou com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, Gleisi Hoffmann. Portanto, a única interlocução foi com uma ministra da área política.
“Eu tive uma boa conversa com a ministra Gleisi. Expliquei para ela que estavam explorando de forma negativa a minha fala de que não estavam conosco, que foi só um relato. Que a minha crítica, eu mantenho (…). Falei isso com a ministra, e ela concordou que essa crítica faz parte do processo democrático”, disse Castro.
O governador explicou ainda o motivo de não ter pedido novamente a ajuda de veículos blindados das Forças Armadas para a operação. Segundo ele, pedidos anteriores de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) já haviam sido negados pelo governo federal.
“A resposta que nós tivemos do governo federal é que o blindado precisa de um operador, e esse operador, por ser servidor federal, precisaria de uma GLO. Mas o presidente da República, em várias ocasiões, quando citada a GLO, disse que era contra e que não daria GLO alguma”, afirmou.
“Se o presidente não vai dar a GLO, e se é fundamental que tenha a GLO, não adianta ficar pedindo, porque nós não teremos a ajuda dos blindados federais. Portanto, não adianta ficar pedindo”, disse o governador.
Como mostrou a coluna, Castro disse ter solicitado três vezes o uso de blindados em ações em áreas controladas pelo tráfico no estado — um dos ofícios é de 28 de janeiro. Diante das negativas, afirmou que acabou não fazendo o pedido desta vez.
“Não acredito em GLO permanente”
Castro afirmou também não acreditar no uso “permanente” das GLOs. Disse que o governo federal já ajudaria bastante se focasse no controle das fronteiras e no combate à lavagem de dinheiro.
“Eu não acredito numa GLO permanente, não acredito que é o Exército na rua que vai resolver. Já vieram uma vez, e não é a função do Exército fazer isso. Acho que temos que ter operações integradas de inteligência (…)”, disse.
“No dia a dia da segurança pública, o que nós precisamos é da contenção das fronteiras, da entrada de armas e drogas, e da questão da lavagem de dinheiro, que essa é a função federal. Se isso funcionar, vamos ter um enfraquecimento das facções criminosas”, completou.
