A tarde desta terça-feira (28/10) expôs o cotidiano de quem vive nas regiões afetadas pelos confrontos entre policiais e facções criminosas no Rio de Janeiro. Uma jovem aprendiz que voltava do trabalho, identificada como Sheila, contou à reportagem da Globo no Rio que passou horas tentando chegar em casa, sem sucesso: “Eu vim de Deodoro, estava tentando passar pela [Avenida] Brasil, que estava fechada. Peguei o Uber Moto à toa, tinha um monte de caminhão atravessado, Polícia Militar na rua e, aparentemente, o Comando Vermelho liberou o assalto”, relatou a moça, ao vivo.
Com o cenário de tensão se espalhando por vários bairros, vias foram fechadas às pressas e motoristas ficaram ilhados. Sheila disse ainda que tentou desviar o trajeto pela Zona Oeste, mas encontrou novos bloqueios: “Tinha ônibus parado, um monte de gente dentro, não entendi nada. Fui tentar ir pra casa, fecharam a principal do Tanque e não tem como ir pra casa. Tô tentando ir pra casa do meu namorado, mas ele mora na Penha”, acrescentou a jovem, visivelmente preocupada com a situação.
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Sheila estava se dirigindo justamente a uma das áreas mais afetadas pela megaoperação, que ocorre nos complexos do Alemão e da Penha desde o início do dia. A ação, que mobiliza 2,5 mil agentes, resultou até agora em 64 mortos e 81 presos, segundo a polícia. O número já faz dessa a operação mais letal registrada no estado.
No trajeto, moradores relataram a presença de barricadas erguidas por criminosos para impedir o avanço das forças de segurança. Em alguns trechos, ônibus foram interceptados e obrigados a bloquear ruas. As cenas provocaram desespero nos passageiros e colocaram trabalhadores em situação de risco, longe de casa e sem informações.
Enquanto as famílias tentam se proteger, o debate entre os governos estadual e federal sobre responsabilidades e estratégias contra o crime organizado ganha novas camadas. O clima de incerteza recai diretamente sobre quem vive nas comunidades e nos bairros vizinhos, que se veem reféns do conflito.





