O conselho do MinistĆ©rio PĆŗblico de SĆ£o Paulo (MPSP) confirmou, em votação unĆ¢nime nessa terƧa-feira (7/10), a decisĆ£o do procurador-geral de JustiƧa, Paulo SĆ©rgio de Oliveira e Costa, que determinou o arquivamento da investigação sobre a casa de luxo que o secretĆ”rio de SeguranƧa PĆŗblica, Guilherme Derrite (PP), estĆ” construindo em um condomĆnio de Porto Feliz, no interior paulista.
A homologação do arquivamento foi confirmada após sessão em que foi analisado um recurso contra a decisão do procurador-geral, que jÔ havia negado a abertura da investigação em agosto deste ano.
Como revelado pelo Metrópoles, o empreiteiro responsÔvel pela construção da casa do secretÔrio afirmou à reportagem que o imóvel custarÔ em torno de R$ 3 milhões, considerando valor do terreno, material e mão de obra. O construtor ainda disse que o empresÔrio do setor de eventos Guilherme Moron, amigo de Derrite, é quem alinha os pagamentos.
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Na sessão dessa terça-feira, nove conselheiros aceitaram os argumentos do advogado de Derrite, que alegou compatibilidade entre os rendimentos do secretÔrio e o valor empregado na construção e inexistência de ato de improbidade administrativa.
Procurador descarta indĆcios
Mesmo sem consultar o empreiteiro e o empresĆ”rio, o procurador-geral considerou que os esclarecimentos prestados pelo titular da SeguranƧa PĆŗblicaĀ solicitados em julho, atendendo a um pedido do deputado estadual Antonio Donato (PT), āforam suficientesā para descartar a existĆŖncia da improbidade.
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Construção de casa de Derrite estÔ em fase final
Kléber Augusto/Especial para o Metrópoles
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Imóvel custarÔ ao menos R$ 3 milhões
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Guilherme Derrite e Gui Moron durante cerimÓnia de condecoração da PM
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Guilherme Derrite condecora seu amigo Gui Moron
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Guilherme Derrite e Gui Moron em BrasĆlia, quando empresĆ”rio foi ao Congresso
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Guilherme Derrite com o ex-presidente Michel Temer e Gui Moron
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Casa de Derrite vista de cima
Kléber Augusto/Especial para o Metrópoles
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Imóvel fica localizado em um condomĆnio de alto padrĆ£o em Porto Feliz (SP)
Kléber Augusto/Especial para o Metrópoles
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Terreno foi adquirido em junho de 2023, por R$ 475 mil
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Porto Feliz se tornou reduto dos bilionƔrios no interior do estado
Kléber Augusto/Especial para o Metrópoles
āNĆ£o se coletaram indĆcios de improbidade administrativa catalogada no artigo 9Āŗ [ā¦] os esclarecimentos prestados pelo representado foram suficientes para desautorizar a incidĆŖncia de referido preceito legal, rechaƧando a ocorrĆŖncia de enriquecimento ilĆcito pela aquisição de bens incompatĆvel Ć evolução do patrimĆ“nio ou renda, pois, logrou demonstrar sua origem lĆcitaā, afirmou o procurador-geral de JustiƧa.
SSP afirma erro nos valores da construção
Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública negou que o empresÔrio Guilherme Moron tenha custeado qualquer valor referente à construção do imóvel de Derrite e afirmou que o valor considerado pelo MPSP na decisão estÔ errado. Inicialmente, a informação era que a edificação teria custado R$ 151 mil. A SSP disse que, na verdade, esse seria o custo da última parcela, e que haveria ainda 18 parcelas de R$ 11,6 mil, pagas entre março de 2024 e agosto de 2025. Com isso, o valor total seria R$ 359 mil.
āĆ incorreta a associação direta do valor mencionado Ć casa em construção, pois esse montante corresponde a imóveis jĆ” prontos no mesmo condomĆnio, nĆ£o refletindo o estĆ”gio atual e o custo total da obra em andamento. TambĆ©m Ć© importante mencionar que a casa nĆ£o estĆ” localizada em um condomĆnio de altĆssimo padrĆ£o, conhecido na regiĆ£o, como dĆ” a entender a reportagem, mas sim em um condomĆnio localizado na Ć”rea urbana da cidadeā, declarou a pasta.
Construção de pelo menos R$ 2 milhões
A reportagem conversou com o empreiteiro responsĆ”vel, Genilton Mota, da construtora Mota, em junho deste ano. Ele afirmou que atĆ© aquele momento o valor da construção girava em torno de R$ 2 milhƵes. āĆ, 2,7 [milhƵes]⦠atĆ© esses tempos atrĆ”s eu estava conversando de gasto lĆ”, estava em uns 2 [milhƵes], mas material e mĆ£o de obra estava comprando tudo, porcelanato, esquadrilha, jĆ” comprou tudoā.
Segundo o empreiteiro, a construção contarĆ” com R$ 150 mil em madeira amazĆ“nica, do tipo cumaru, equivalente ao valor declarado pelo secretĆ”rio para toda a obra. āEstĆ” faltando só comprar as torneiras mesmo e a madeira. De madeira ficou 140 mil de madeira. Porque do assoalho Ć s portas Ć© tudo de madeira, tudo cumaru, deck em volta da piscina. EntĆ£o toda madeira estĆ” ficando na casa dos 150 milā, disse Genilton.
