O que mais assusta, hoje, Bolsonaro?
NĂŁo Ă© o inĂcio em regime fechado do cumprimento da pena de 27 anos e trĂȘs meses por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta da democracia, organização criminosa e outras coisitas.
Ele sabe que parte da pena serĂĄ cumprida em prisĂŁo domiciliar, dado ao seu estado de saĂșde. As crises de soluço continuam, assim como os problemas estomacais decorrentes da facada.
O abandono pelos amigos? E, principalmente, por aqueles que fingem ser amigos, mas que só estão interessados em seus votos? Sem disfarçar a tristeza, Bolsonaro parece conformado com isso.
Ă do jogo. E ele jĂĄ experimentou a sensação de abandono diversas vezes ao longo de sua carreira polĂtica. Pior foi quando o ExĂ©rcito o forçou a despir a farda nos anos 1980.
AtĂ© Donald Trump, em quem Bolsonaro depositava suas Ășltimas esperanças, largou-o de mĂŁo. Mas nĂŁo sĂł: abriu diĂĄlogo com Lula e poderĂĄ reduzir o tarifaço aplicado ao Brasil.
Eduardo Bolsonaro, o terceiro dos filhos⊠Acabou prejudicando o pai ao invĂ©s de ajudĂĄ-lo. Arrotou uma importĂąncia que nunca teve na Casa Branca nem tampouco nos subĂșrbios de Washington.
Assusta Bolsonaro a insistĂȘncia de Eduardo em se candidatar a presidente. Assusta a dificuldade que enfrenta Carlos, o Zero Dois, para emplacar sua candidatura a senador por Santa Catarina.
Mas, o que mais apavora, hoje, Bolsonaro Ă© o desejo irreprimĂvel de Michelle de se candidatar Ă sucessĂŁo de Lula. Embora negue em pĂșblico, ela estĂĄ em campanha, e nĂŁo Ă© para o Senado.
Se dependesse unicamente dele, Michelle jamais entraria na polĂtica. Seria uma mulher do lar, mĂŁe de Laura, a filha adolescente, madrasta belicosa dos seus quatros filhos homens.
O pavor de Bolsonaro Ă© perder Michelle para a polĂtica. Ă vĂȘ-la, encantadora, trafegar em um meio essencialmente masculino e perigoso enquanto o pobre do marido definha preso em casa.
Não é de partir o coração?
Os brutos também amam e querem ser amados.
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