O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou, neste domingo (19/10), um vídeo feito com inteligência artificial para ironizar os protestos “No Kings” (“Sem Reis”), realizados no dia anterior em várias cidades americanas e europeias. Na montagem, divulgada em sua rede social, ele aparece usando uma coroa e pilotando um avião militar identificado com os dizeres “King Trump” (“Rei Trump”), enquanto lança bombas em formato de fezes sobre grupos de manifestantes.
A publicação foi a primeira reação pública do presidente às manifestações que tomaram as ruas de cidades como Nova York, Boston, Atlanta, Chicago, Washington e Los Angeles. Ainda no domingo, em entrevista à Fox News, Trump declarou: “Estão se referindo a mim como rei. Eu não sou um rei.”
Veja as fotos



Os atos, que contaram com bandas marciais, cartazes e faixas com o preâmbulo “We, the people” (“Nós, o povo”) da Constituição americana, foram marcados por críticas ao que organizadores chamam de um avanço autoritário do Executivo. “A forma com que o governo vem confrontando o Congresso e os tribunais é um deslize rumo ao autoritarismo”, afirmaram em nota.
Esta foi a terceira grande mobilização desde o retorno de Trump à Casa Branca, ocorrendo em meio a uma paralisação do governo (“shutdown”) provocada pelo impasse no Congresso sobre o orçamento federal. O bloqueio orçamentário levou ao fechamento de serviços públicos e deixou milhares de servidores em licença temporária, enquanto trabalhadores essenciais seguem sem garantia de pagamento.
Em Washington, o veterano da Guerra do Iraque Shawn Howard afirmou à agência Associated Press que decidiu participar dos protestos por temer o enfraquecimento das instituições democráticas.
“Nunca participei de uma manifestação, mas ver o desrespeito à lei me motivou. As detenções migratórias sem devido processo e o uso de tropas em cidades americanas são atitudes antidemocráticas e sinais de erosão da democracia”, declarou.
O Partido Republicano classificou os protestos como “antiamericanos” e minimizou o impacto das mobilizações. Enquanto isso, o vídeo de Trump segue repercutindo entre críticos e apoiadores, reacendendo o debate sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial por líderes políticos em meio a tensões internas e crises institucionais.
