O ano de 2025 no Acre apresenta um cenĂĄrio de contrastes na segurança pĂșblica, conforme revelam os painĂ©is de acompanhamento de indicadores de violĂȘncia e criminalidade do ObservatĂłrio da Criminalidade do NĂșcleo de Apoio TĂ©cnico (NAT) do MPAC.

Sede do MPAC/Foto: Reprodução
Se, por um lado, o estado registrou uma notĂĄvel queda nas Mortes Violentas Intencionais (MVI), por outro, os dados sobre violĂȘncia domĂ©stica e sexual continuam a expor feridas profundas em todos os 22 municĂpios acreanos. A anĂĄlise sugere que a violĂȘncia no Acre, embora menos letal nas ruas, persiste de forma alarmante dentro dos lares.
Queda nos Indicadores de ViolĂȘncia Letal
O indicador de Mortes Violentas Intencionais (MVI), que agrupa homicĂdio doloso, latrocĂnio, feminicĂdio, lesĂŁo corporal seguida de morte e morte por intervenção policial, mostrou um recuo significativo em 2025. O Acre registrou 141 MVIs, uma diminuição em relação aos 179 casos contabilizados em 2024.
No entanto, a capital, Rio Branco, concentrou a maior parte dos casos, com 72 homicĂdios registrados. Chama a atenção o fato de apenas dois municĂpios, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, nĂŁo terem registrado nenhuma morte violenta.

40% dos homicĂdios sĂŁo por conflito entre facçÔes/Foto: Reprodução/senivpetro/Freepik
AlĂ©m disso, a modalidade de execução mais utilizada foi a arma de fogo, responsĂĄvel por 56% dos Ăłbitos. O perfil da vĂtima Ă© predominantemente masculino, representando 88% do total, com 125 homens mortos.
Quanto Ă motivação, a principal causa estĂĄ ligada a conflitos de facçÔes, somando 40% dos casos. Motivos fĂșteis e bebedeiras totalizam 20%, enquanto o feminicĂdio representa 7% das ocorrĂȘncias. Um preocupante total de 22% das mortes ainda estĂĄ classificado como “motivo a apurar”.
ViolĂȘncia DomĂ©stica: a epidemia Silenciosa
Os registros de violĂȘncia domĂ©stica (consumada e tentada), embora apresentem uma diminuição em relação a 2024 (quando foram 5.752 casos), continuam em um patamar de emergĂȘncia social. Em 2025, foram 4.668 registros no Acre, uma mĂ©dia diĂĄria altĂssima.

Mias de 4500 casos de violĂȘncia contra a mulher foram registrados no Acre/ Foto: Ilustrativa
Presente em absolutamente todos os municĂpios, a capital, Rio Branco, Ă© o epicentro, concentrando mais da metade dos casos com 2.416 registros. Cruzeiro do Sul e Sena Madureira vem em sequĂȘncia com 425 e 280 registros cada. No extremo oposto, Santa Rosa do Purus, mesmo sendo o municĂpio com menor incidĂȘncia, ainda contabiliza 19 ocorrĂȘncias.
ViolĂȘncia Sexual: a devastação da vulnerabilidade
Os dados de violĂȘncia sexual (estupro e estupro de vulnerĂĄvel) causam espanto. Em 2025, foram contabilizados 850 registros de ocorrĂȘncias, uma redução em relação aos 1.044 casos de 2024, mas ainda um nĂșmero devastador. O fator mais alarmante Ă© que mais de 80% dos casos se referem a estupro de vulnerĂĄvel, o que indica uma alta proporção de vĂtimas infantis e juvenis.

80% dos casos de estupro se referem à vulneråveis/ Foto: Reprodução
Os casos estĂŁo presentes em todos os municĂpios. Rio Branco lidera com 310 ocorrĂȘncias, seguido por Cruzeiro do Sul com 163 e TarauacĂĄ com 52. Santa Rosa do Purus, por sua vez, registrou 4 casos, novamente o menor Ăndice.
Apesar da redução nas Mortes Violentas Intencionais, que pode ser atribuĂda a uma maior eficĂĄcia policial no combate a grupos criminosos, os nĂșmeros de violĂȘncia domĂ©stica e sexual demonstram que a segurança pĂșblica no Acre precisa de uma abordagem mais ampla. O alto Ăndice de crimes sexuais contra vulnerĂĄveis e os milhares de registros de violĂȘncia dentro de casa exigem uma resposta urgente que vĂĄ alĂ©m da repressĂŁo policial, investindo em educação, assistĂȘncia social e proteção Ă s vĂtimas em todos os municĂpios do estado.

