Presidente do Instituto Anjos da Liberdade, a advogada Flávia Fróes defende na Justiça diversas pessoas suspeitas de integrarem o Comando Vermelho, como um amigo do trapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, e o traficante Rogério Avelino da Silva, o “Rogério 157”, considerado um dos líderes da facção.
O amigo de Oruam defendido por Flávia é Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira. Os dois respondem por dupla tentativa de homicídio.
A dupla responde por ter arremessado pedras contra um delegado e um oficial da Polícia Civil do Rio de Janeiro em julho deste ano. Fróes representa Willyam no processo em que Oruam figura como réu. O amigo do rapper também é filho de uma liderança do Comando Vermelho, William Rodrigues Vieira, conhecido como Robocop.



O rapper Oruam ficou dois meses preso
Reprodução/Redes sociais.
Marcinho VP
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Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho
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Marcinho VP e o filho, Oruam
Reprodução/Redes Sociais
Flavia Froes advogada do Dr Jairinho, passa batom, durante no TJ durante depoimento sobre a morte do menino Henry Borel no Rio de Janeiro 8
Aline Massuca/Metrópoles
Flávia Fróes também é a advogada de Rogério Avelino da Silva, o “Rogério 157”. Apontado como líder do CV na Rocinha, ele foi condenado por triplo homicídio qualificado e foi condenado a 64 anos de reclusão em regime fechado em 2024. A defesa recorre da sentença, e o caso ainda tramita na Justiça carioca.
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Flávia Fróes ainda faz parte da lista de advogados que defendeu um grupo de 68 presos do sistema penitenciário federal em uma ação que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa lista, está Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP (entenda abaixo).
Outros processos de Flávia Fróes ligados ao Comando Vermelho e PCC
Além dos processos em aberto, a advogada possui um longo histórico na defesa de indivíduos ligados ao crime organizado. Foi ela quem representou, por exemplo, Marcelo da Silva Soares, o “Macarrão” — um dos principais traficantes de uma facção criminosa carioca —, em um recurso movido em 2015 contra sua condenação no Supremo.
No STF, Flávia Fróes advogou por Bruno Fernando de Lima Flor, que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), seria o chefe nacional do setor jurídico do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em abril deste ano, Bruno teve condenação confirmada por organização criminosa e lavagem de dinheiro confirmada pelos ministros.
O Metrópoles ainda levantou a atuação de Froes na defesa dos seguintes indivíduos:
- Fabiano Atanásio da Silva, o traficante “FB”, condenado pela morte de três policiais em 2023. Flávia defendeu ele em uma série de recursos movidos em 2014.
- Marcos Marinho dos Santos, ou Chapolim, foi preso em Bangu pela negociação de um míssil antiaéreo com o PCC em 2002. Ele seria braço direito de Fernandinho Beira-Mar. Flávia o defendeu em um recurso movido movido no Supremo em 2015.
Defesa de Marcinho VP
Uma das participações de Flávia Fróes na defesa de Marcinho VP se deu no âmbito de um Habeas Corpus movido na Justiça do Rio de Janeiro. No pedido, julgado 2021, a advogada alega que Marcinho vem sofrendo violações sucessivas de seus direitos fundamentas no Sistema Penitenciário Federal.
O processo foi levado ao Supremo e incorporou uma ação pela melhoria das condições de vida dos condenados. Essa ação inclui outras pessoas além de Marcinho. Nesse processo, o STF determinou que os presos tenham direito a banho de sol diário.
Em 2022, Flávia disputou, sem sucesso, a uma vaga na Câmara dos Deputados. Durante a sua campanha, conforme revelado pelo jornal O Globo, ela pediu apoio a Marcinho VP para se eleger.
Naquela época, a advogada virou alvo de um inquérito da Polícia Federal, que apurou o repasse de dinheiro do CV para a campanha eleitoral de Fróes. Segundo reportagem do O Globo de 2023, ela teria pagado um BMW de R$ 280 mil com dinheiro da facção criminosa.
Reunião com Alexandre de Moraes
Flávia Fróes foi uma das responsáveis por convocar, por meio do Instituto Anjos da Liberdade, uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, para discutir a megaoperação contra o CV que deixou ao menos 121 mortos na capital carioca.
Após a coluna Andreza Matais revelar a relação da advogada com o CV, Moraes barrou a sua presença no encontro por meio de despacho no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635. A reunião aconteceu às 10h desta quarta-feira (5/11) na Sala da Primeira Turma do STF, sem a presença de Fróes.
“A participação de representantes concomitantemente de institutos e réus condenados criminalmente por participação em organização criminosa não se mostra adequada, pois essa representação pessoal deve ser realizada nos processos subjetivos pertinentes e não na Jurisdição Constitucional”, diz trecho do despacho de Alexandre de Moraes.
O encontro aconteceu com 29 representantes de outras entidades da sociedade civil. Na lista estão nomes como o da presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Charlene Borges, e o do defensor público da União, Thales Arcoverde Treiger.
Depois de ser barrada da reunião, Fróes afirmou que advogou para o traficante e líder do Comando Vermelho até 2021 e pediu que a decisão de Moraes fosse reconsiderada.




