Andressa Urach, influenciadora digital, detalhou, no podcast “Sem Filtro”, apresentado por Luiza Ambiel, episódios que considera os mais dolorosos e contraditórios de sua vida. O portal LeoDias teve acesso exclusivo ao conteúdo, que será transmitido às 19h desta terça-feira (18/11). A loira falou pela primeira vez sobre uma agressão ao próprio filho, Arthur. Na época, a situação foi motivada pelo radicalismo religioso que, segundo ela, marcou sua rotina por anos.
Durante a conversa, Urach revelou que o medo de que o filho fosse gay, sentimento que hoje reconhece como fruto de preconceito a levou a atitudes que classifica como violentas e injustificáveis: “Quando eu estava na igreja, tinha medo de o Arthur ser gay. Eu cheguei a dar uma surra nele. Dei uma surra porque ele tinha um amigo gay e eu achei que ele estava tendo um relacionamento homoafetivo. Questionei a masculinidade dele. Eu fui religiosa e intolerante”, admitiu.
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Ela afirma que, naquele período, acreditava que seguir a doutrina significava controlar rigidamente o comportamento de todos ao seu redor, inclusive do próprio filho. A tentativa de impor padrões religiosos, diz ela, se transformou em violência, julgamentos e culpa: “Eu fui muito religiosa e me arrependo de ter sido um fariseu, porque, daí, comecei a abrir mão das coisas que gostava de fazer. Acho que é isso que acontece com o religioso: o fato de ele não poder fazer e de estar sacrificando o seu eu faz com que queira obrigar os outros a fazerem também. Já que está se tornando uma pessoa infeliz por não poder ser livre e falar ou viver o que quer, quer impor essa coisa ruim aos outros também”, afirmou.
Além da agressão a Arthur, Urach relembrou o processo judicial que perdeu após um post considerado transfóbico. Ela critica a própria postura na época e afirma ter aprendido com o episódio: “Quando estava na igreja, cheguei a fazer um post sobre uma trans que fez um desfile de Carnaval e estava na cruz. Até perdi o processo contra ela porque fui intolerante religiosa. Eu nem sabia quem ela era. Peguei uma foto em que ela estava no Carnaval usando a imagem de Jesus e a coloquei na cruz. Eu atrelei ela ao pecado. Imagine quantas pessoas morrem hoje por causa dessa intolerância?”, reconheceu a influenciadora.
Urach também aproveitou o podcast para criticar o ambiente religioso que frequentou por anos, descrevendo-o como um sistema que, segundo ela, deixou de priorizar valores espirituais: “Não preciso de intermediários, de consulta com o pastor ou qualquer coisa. Hoje, infelizmente, a religiosidade virou um CNPJ, uma empresa. Sou o que sou. Se eu sou put*, sou put*. Se eu sou crente, sou crente”, declarou, dizendo seguir acreditando em Jesus, mas afirmando buscar uma fé conectada à individualidade, e não a regras de controle.
Hoje, longe das restrições que a acompanhavam, Urach afirma ter uma relação de afeto e respeito com a comunidade LGBT+: “Eu amo os gays! E um dos motivos pelos quais saí da igreja foi o fato de condenarem e dizerem que os gays iriam para o inferno. Eu penso que o gay veio para confundir os sábios. Quando Deus diz: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo’, você ama o próximo e respeita as escolhas do próximo. A Bíblia fala também que ‘tudo o que não vem da fé é pecado’, então tudo o que fizermos que não for de fé é pecado; estaríamos todos condenados. Deus fez justamente gays, homossexuais, travestis, todo grupo LGBT para confundir os sábios. São pessoas que só querem amar, e Deus é amor”.
Segundo Urach, revisitar seus erros é parte de sua tentativa de romper com o extremismo religioso que marcou sua história. Além disso, ao mesmo tempo, alerta outras pessoas sobre seus riscos, especialmente dentro das famílias.





