O dólar à vista registrou valorização de 0,38% sobre o real, cotado a R$ 5,33, nesta quarta-feira (19/11). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), anotava recuo de 0,65%, aos 155.507,78 pontos, às 17h30, meia hora antes do encerramento do pregão.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar avançou contra o real seguindo um movimento global. A divisa brasileira acompanhou a alta do índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço).
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“Foi um dia marcado pela forte queda do petróleo, que derrubou o apetite por risco e pressionou moedas de países emergentes”, diz o analista. Ele observa que o cenário externo ganhou um tom ainda mais defensivo por causa da expectativa em torno da divulgação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
O documento do Fomc faz uma análise do cenário econômico, com base na decisão tomada pelo órgão do Fed, em 29 de outubro, de cortar os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano. O texto foi divulgado na tarde desta quarta-feira.
Corte de juros
Na avaliação de analistas, a ata acentuou a perspectiva de que as taxas de juros americanas não serão mais reduzidas na próxima reunião do Fomc, em dezembro, como o mercado esperava até meados de outubro.
Além disso, no Brasil, diz Shahini, deu-se o que os investidores chamam de “realização de lucros” (quando dólares ou ações são negociados depois que atingem determinado patamar de ganhos). Ela foi resultado da recente valorização do real e da demanda sazonal de fim de ano, que aumenta as remessas da moeda americana para o exterior. “Além disso, dados de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira mostram uma estagnação desde o início da semana, constituindo mais um fator de pressão sobre o real”, afirma o analista.
Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos, concorda com a tese da “realização de lucros”. “A bolsa subiu bastante nos últimos pregões e tivemos uma correção agora”, diz. “Nada fora do comum.”
