OrganizaƧƵes temem que Congresso derrube vetos do ā€œPL da Devastaçãoā€

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OrganizaƧƵes temem que Congresso derrube vetos do ā€œPL da Devastaçãoā€


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O Congresso Nacional deve votar nesta quinta-feira (27) os vetos do presidente Luiz InĆ”cio Lula da Silva Ć  Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nĀŗ 15.190/2025), chamada pelos ambientalistas de ā€œPL da Devastaçãoā€. A sessĆ£o conjunta entre deputados e senadores para tratar do tema estĆ” na ordem do dia do plenĆ”rio da CĆ¢mara.OrganizaƧƵes temem que Congresso derrube vetos do ā€œPL da Devastaçãoā€OrganizaƧƵes temem que Congresso derrube vetos do ā€œPL da Devastaçãoā€

Organizações socioambientais avaliam que hÔ pressão de grupos políticos para que os vetos sejam derrubados. Caso isso ocorra, serão retomados dispositivos que autorizam autolicenciamento amplo, emissão automÔtica de licenças e execução de grandes obras sem estudos ambientais.

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O entendimento é de que a derrubada dos vetos abre brechas para aumento de desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e insegurança jurídica. Também estão em risco direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Eles podem ser ignorados nos processos de licenciamento caso seus territórios ainda não estejam demarcados ou titulados.

ā€œAo admitir licenƧas automĆ”ticas e ignorar povos indĆ­genas e quilombolas, o Congresso cria um cenĆ”rio de maior conflito e inseguranƧaā€, diz ƍcaro Jorge Santana, do Instituto de Direito Coletivo.

A restauração do texto original, segundo essas organizações, permite que estados e municípios definam sozinhos os empreendimentos que podem ser licenciados automaticamente, sem anÔlise prévia de impactos.

Obras em Ôreas sensíveis da AmazÓnia, como estradas e hidrovias, podem avançar sem salvaguardas, ampliar emissões de gases do efeito estufa e contrariar os compromissos defendidos pelo Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças ClimÔticas (COP30).

ā€œA derrubada dos vetos seria um ataque aos fundamentos da nossa polĆ­tica ambiental, conflitando com tudo o que o paĆ­s defendeu na COP30. Colegiados como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o próprio papel regulamentar da UniĆ£o ficam esvaziadosā€, afirmaĀ Suely AraĆŗjo, do Observatório do Clima.

As entidades classificam a votação como o maior retrocesso ambiental em 40 anos.

ā€œA perspectiva de derrubada dos vetos pode nos levar ao precipĆ­cio ambiental e climĆ”tico, com mais desastres como os de Mariana e de Brumadinhoā€, diz Mauricio Guetta, da Avaaz.

ā€œDerrubar os vetos significa ignorar a ciĆŖncia, ampliar a inseguranƧa jurĆ­dica e fragilizar a governanƧa ambiental do paĆ­sā€, afirma Clarissa Presotti, do WWF-Brasil.

Para as organizações, manter os vetos é essencial para evitar insegurança jurídica, conflitos socioambientais e impactos climÔticos irreversíveis, além de garantir coerência com a agenda internacional apresentada pelo Brasil em Belém.

ā€œMesmo diante de um cenĆ”rio catastrófico, os vetos garantem algum balanceamento entre atividades econĆ“micas e equilĆ­brio ecológicoā€, dizĀ RĆ”risson Sampaio, do Inesc.

Segundo Natalia Figueiredo, da Proteção Animal Mundial, ā€œas incontĆ”veis perdas Ć  nossa biodiversidade promovidas por essa derrubada serĆ£o responsabilidade dos legisladoresā€.

PL da Devastação

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 17 de julho deste ano, o projeto de lei que estabelecia novas regras de licenciamento ambiental. O substitutivo incorporava 29 emendas do Senado ao Projeto de Lei nº 15.190, e contava com apoio do agronegócio e de setores empresariais.

No dia 8 de agosto, o presidente Lula sancionou com 63 vetos o projeto de lei. O Planalto argumentou que as medidas garantiriam ā€œproteção ambiental e seguranƧa jurĆ­dicaā€, e foram definidas após escutar a sociedade civil.

No mesmo dia, tambĆ©m foi assinada a Medida Provisória (MP)Ā 1.308, para permitir licenciamento simplificado deĀ projetos e obras consideradas ā€œestratĆ©gicasā€ pelo governo. Ambientalistas criticam a MP por entender que ela cria atalhos para empreendimentos como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a pavimentação de estradas e a liberação de outros projetos que passariam a ser aprovados por decisĆ£o meramente polĆ­tica.

No dia 18 de setembro, o Observatório do Clima publicou um levantamento que identificou 833 emendas do Congresso à MP. Cerca de 75% das propostas retomam dispositivos rejeitados pelo presidente Lula e 80% representam retrocessos ambientais.

Para a instituição, a estratĆ©gia permite usar a MP como atalho para reconstruir integralmente o ā€œPL da Devastaçãoā€ e incluir novos dispositivos sem debate pĆŗblico ou controle social.

ƀs vĆ©speras da COP30, no dia 9 de outubro, o Senado decidiu prorrogar por mais 60 dias o prazo para analisar a MP, com tĆ©rmino previsto até 5 de dezembro.

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