A deputada federal Socorro Neri (PP-AC) se posicionou contra o projeto de decreto legislativo aprovado pela CĂąmara dos Deputados que anula uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A medida, apelidada por crĂticos de âPL da pedofiliaâ, derruba normas que orientavam o atendimento de meninas vĂtimas de violĂȘncia sexual e açÔes de combate ao casamento infantil.

Socorro Neri critica projeto que anula diretrizes de proteção a meninas vĂtimas de abuso e alerta para retrocesso na luta contra o casamento infantil e a violĂȘncia sexual/Foto: Reprodução
O texto foi aprovado na noite de quarta-feira (5) e segue agora para o Senado. Ele susta os efeitos da Resolução nÂș 258/2024 do Conanda, que estabelecia diretrizes para garantir atendimento humanizado a crianças e adolescentes vĂtimas de abuso. A norma tambĂ©m previa campanhas pĂșblicas para conscientizar sobre o problema do casamento infantil e garantir que meninas violentadas fossem informadas sobre seus direitos, inclusive nos casos em que a lei prevĂȘ aborto legal.
Socorro Neri não participou da votação por estar em missão oficial, mas afirmou que votaria contra o projeto. Em nota divulgada nas redes sociais, ela disse que a decisão representa um retrocesso na proteção de meninas e adolescentes.
âA CĂąmara aprovou ontem o PDL que desmonta resolução do Conanda e impede que meninas vĂtimas de estupro sejam informadas sobre seus direitos e que o governo faça campanha contra o casamento infantil. Em missĂŁo oficial, nĂŁo consegui votar contra mais esse absurdoâ, escreveu.
A deputada tambĂ©m destacou que o tema deveria ser tratado com responsabilidade. âComo mulher e avĂł de meninas, me causa repulsa que um tema como esse seja tratado com tanta irresponsabilidade, indignidade e decadĂȘncia moral. NĂŁo, crianças nĂŁo podem ser mĂŁes e esposas, pedĂłfilos e estupradores nĂŁo podem ser paisâ, completou.
O projeto recebeu crĂticas de entidades de defesa dos direitos das crianças e adolescentes e de ministĂ©rios do governo federal. O MinistĂ©rio dos Direitos Humanos e da Cidadania afirmou que a decisĂŁo representa um âgrave retrocessoâ e pode dificultar o acesso de vĂtimas de violĂȘncia sexual aos serviços de saĂșde e assistĂȘncia social.
Os deputados que defenderam o PDL argumentam que o Conanda teria extrapolado suas funçÔes ao editar a resolução, tratando de assuntos que deveriam ser debatidos no Congresso.
Agora, o texto serĂĄ analisado pelo Senado Federal. Se tambĂ©m for aprovado pelos senadores, a resolução do Conanda deixarĂĄ de ter efeito em todo o paĂs.

