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“Transexual não tem direito de viver em paz?”, desabafa pai de mulher morta

Por Redação

O velório de Alice Martins Alves, de 33 anos, foi marcado por forte comoção e revolta nesta segunda-feira (10/11), no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte (MG). Amigos, familiares e militantes LGBTQIAPN+ prestaram as últimas homenagens à mulher trans, morta no domingo (9) após ser violentamente agredida por um homem na região da Savassi, área central da capital mineira.

“Transexual não tem direito de viver em paz?”, desabafa pai de mulher morta

O pai de Alice deu um emocionante depoimento durante o velório da filha
crédito: Leandro Couri/Estado de Minas

Em meio à dor, o pai da vítima, Edson Alves Pereira, desabafou sobre a violência que tirou a vida da filha.

“Será que um homossexual não tem direito a viver? Que ódio é esse? Tem que respeitar. Eles têm direito de viver”, declarou emocionado.

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💔 O crime

Segundo o boletim de ocorrência, Alice foi atacada na madrugada de 23 de outubro por um homem branco, alto, de cabelos escuros, acompanhado de dois cúmplices que riam durante a agressão. A vítima relatou à polícia que não conhecia os agressores e que o ataque foi inesperado e sem motivação aparente, o que caracteriza um possível ato de transfobia.

Alice sofreu fraturas nas costelas, cortes no nariz e desvio de septo. Após o atendimento inicial, foi encaminhada à UPA Centro-Sul, mas retornou para casa debilitada. Nos dias seguintes, apresentou fortes dores e perda de peso. No dia 8 de novembro, médicos diagnosticaram uma perfuração no intestino, possivelmente causada pelas lesões, e ela não resistiu a uma infecção generalizada após uma cirurgia de emergência.

🕯️ Dor e luta por justiça

Durante o velório, o pai da vítima lembrou dos momentos de convivência e da relação próxima que mantinham:

“Ela era minha amiga, minha parceira de ver filmes e tomar uma cervejinha. Eu deixei de viver minha vida pra cuidar dela. Sempre dizia: ‘Pai, eu te amo’.”

Militantes da causa LGBTQIAPN+ também estiveram presentes e cobraram respostas e justiça.
A ativista Malu Almeida destacou o cenário de violência contra pessoas trans:

“A vida de pessoas trans também importa. Não tem 20 dias que enterramos outra pessoa trans em BH. Só vamos mudar quando a sociedade entender que também somos seres humanos.”

⚖️ Investigação

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o caso está sendo investigado pelo Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios (Neif), vinculado ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

Fonte: G1 / Metrópoles / Polícia Civil de MG
✍️ Redigido por ContilNet

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