“Transexual não tem direito de viver em paz?”, desabafa pai de mulher morta

Alice Martins Alves, de 33 anos, foi brutalmente agredida na Savassi e morreu após complicaçÔes; caso é investigado como crime de ódio

Por Redação 10/11/2025

O velĂłrio de Alice Martins Alves, de 33 anos, foi marcado por forte comoção e revolta nesta segunda-feira (10/11), no CemitĂ©rio Parque da Colina, em Belo Horizonte (MG). Amigos, familiares e militantes LGBTQIAPN+ prestaram as Ășltimas homenagens Ă  mulher trans, morta no domingo (9) apĂłs ser violentamente agredida por um homem na regiĂŁo da Savassi, ĂĄrea central da capital mineira.

“Transexual não tem direito de viver em paz?”, desabafa pai de mulher morta

O pai de Alice deu um emocionante depoimento durante o velĂłrio da filha
crédito: Leandro Couri/Estado de Minas

Em meio Ă  dor, o pai da vĂ­tima, Edson Alves Pereira, desabafou sobre a violĂȘncia que tirou a vida da filha.

“SerĂĄ que um homossexual nĂŁo tem direito a viver? Que Ăłdio Ă© esse? Tem que respeitar. Eles tĂȘm direito de viver”, declarou emocionado.

https://www.instagram.com/reel/DQ5M01ikqP5/?igsh=MXhtM3FnZng0bTI3cg==

💔 O crime

Segundo o boletim de ocorrĂȘncia, Alice foi atacada na madrugada de 23 de outubro por um homem branco, alto, de cabelos escuros, acompanhado de dois cĂșmplices que riam durante a agressĂŁo. A vĂ­tima relatou Ă  polĂ­cia que nĂŁo conhecia os agressores e que o ataque foi inesperado e sem motivação aparente, o que caracteriza um possĂ­vel ato de transfobia.

Alice sofreu fraturas nas costelas, cortes no nariz e desvio de septo. ApĂłs o atendimento inicial, foi encaminhada Ă  UPA Centro-Sul, mas retornou para casa debilitada. Nos dias seguintes, apresentou fortes dores e perda de peso. No dia 8 de novembro, mĂ©dicos diagnosticaram uma perfuração no intestino, possivelmente causada pelas lesĂ”es, e ela nĂŁo resistiu a uma infecção generalizada apĂłs uma cirurgia de emergĂȘncia.

đŸ•Żïž Dor e luta por justiça

Durante o velĂłrio, o pai da vĂ­tima lembrou dos momentos de convivĂȘncia e da relação prĂłxima que mantinham:

“Ela era minha amiga, minha parceira de ver filmes e tomar uma cervejinha. Eu deixei de viver minha vida pra cuidar dela. Sempre dizia: ‘Pai, eu te amo’.”

Militantes da causa LGBTQIAPN+ também estiveram presentes e cobraram respostas e justiça.
A ativista Malu Almeida destacou o cenĂĄrio de violĂȘncia contra pessoas trans:

“A vida de pessoas trans tambĂ©m importa. NĂŁo tem 20 dias que enterramos outra pessoa trans em BH. SĂł vamos mudar quando a sociedade entender que tambĂ©m somos seres humanos.”

⚖ Investigação

A PolĂ­cia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o caso estĂĄ sendo investigado pelo NĂșcleo Especializado de Investigação de FeminicĂ­dios (Neif), vinculado ao Departamento Estadual de HomicĂ­dios e Proteção Ă  Pessoa (DHPP). AtĂ© o momento, nenhum suspeito foi preso.

Fonte: G1 / MetrĂłpoles / PolĂ­cia Civil de MG
✍ Redigido por ContilNet

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.