Após demissão em massa, MP vai investigar revogação de edital da Educação no Acre

A medida tem como foco principal a garantia da continuidade do serviço público educacional, especialmente no atendimento a crianças e adolescentes com deficiências, como alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Por Redação ContilNet 22/12/2025 Atualizado: há 4 meses

O Ministério Público do Estado do Acre instaurou procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a revogação de edital e a exoneração de profissionais da educação no município de Brasiléia. A medida tem como foco principal a garantia da continuidade do serviço público educacional, especialmente no atendimento a crianças e adolescentes com deficiências, como alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Após demissão em massa, MP vai investigar revogação de edital da Educação no Acre

Sede do Ministério Público do Acre/Foto: Reprodução

O procedimento foi aberto pelo Ministério Público do Estado do Acre após informações de que a Prefeitura de Brasiléia teria revogado o Edital nº 001/2025, que previa a contratação temporária de professores e profissionais de apoio pedagógico da rede municipal. Além disso, no dia 19 de dezembro de 2025, foi comunicada a rescisão contratual e a demissão de diversos servidores da área da educação.

ENTENDA: Prefeitura revoga edital e mais de 200 profissionais da Educação são dispensados

Entre os profissionais desligados estão monitores de alunos, auxiliares de sala, professores, mediadores, psicólogos, assistente social e nutricionista. Parte desses trabalhadores havia sido contratada por meio de processo seletivo simplificado, com previsão de vigência contratual de até 24 meses, o que, segundo o MPAC, gerou expectativa legítima de continuidade do vínculo.

No documento, assinado pelo promotor de Justiça plantonista Daisson Teles, o Ministério Público destaca ainda a necessidade de assegurar a continuidade do Atendimento Educacional Especializado, que exige formação específica e qualificação continuada, a fim de não prejudicar os estudantes que dependem desse serviço.

Como primeira providência, o MPAC requisitou à Secretaria Municipal de Educação e à Prefeitura de Brasiléia que, no prazo de dez dias, apresentem informações detalhadas sobre o caso. Entre os itens solicitados estão cópia do edital revogado, dos contratos firmados, do ato administrativo que determinou as rescisões, a relação dos servidores atingidos, estudo de impacto financeiro, comprovação do pagamento de verbas rescisórias e a previsão de lançamento de um novo edital.

Após demissão em massa, MP vai investigar revogação de edital da Educação no Acre

O objetivo, segundo o MPAC, é acompanhar a regularidade dos atos administrativos e garantir os direitos dos usuários da rede municipal de ensino/Foto: Reprodução

O procedimento tem caráter administrativo e não possui finalidade investigatória criminal. O objetivo, segundo o MPAC, é acompanhar a regularidade dos atos administrativos e garantir os direitos dos usuários da rede municipal de ensino.

Revogação gerou reação de profissionais

A revogação do edital foi anunciada na última sexta-feira, 19, durante reunião convocada pela Secretaria Municipal de Educação, que reuniu profissionais aprovados e já vinculados ao certame. O processo seletivo contemplava cargos considerados essenciais para o funcionamento das escolas, como Professor P1, mediadores, auxiliares de sala e monitores.

Em nota pública, a Prefeitura de Brasiléia informou que a decisão foi tomada para adequação a decretos federais que tratam da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, entre eles o Decreto Federal nº 12.686, publicado em outubro de 2025, e o Decreto Federal nº 12.773, de dezembro do mesmo ano, que elevou as exigências de formação para profissionais da educação especial.

Segundo a administração municipal, as novas regras tornaram juridicamente inviável a manutenção do edital anterior. Já os profissionais afetados contestam a justificativa e alegam que os decretos não poderiam atingir contratos já firmados ou processos seletivos em andamento.

Uma professora atingida pela medida, que preferiu não se identificar, relatou surpresa e insegurança diante da decisão. “Fomos pegos totalmente de surpresa. Muitos de nós já tinham organizado a vida e assumido compromissos financeiros acreditando em um contrato de 24 meses. De uma hora para outra, tudo foi cancelado, sem diálogo e sem segurança nenhuma”, afirmou.

Com a revogação do edital, mais de 200 profissionais da educação ficaram sem vínculo com a rede municipal, situação que agora passa a ser acompanhada pelo Ministério Público.

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