Apesar do reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em 2026, publicado nesta quarta-feira (24) no Diário Oficial da União (DOU), o valor está muito abaixo do necessário para garantir condições básicas de vida a uma família brasileira. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.067,18.
O cálculo do Dieese considera o custo de vida de uma família de quatro pessoas e leva em conta despesas essenciais previstas na Constituição Federal, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor estimado é cerca de cinco vezes maior que o salário mínimo atual, fixado hoje em R$ 1.518, e mais de quatro vezes superior ao novo piso previsto para 2026.
O reajuste oficial para R$ 1.621 representa um aumento de R$ 103 em relação ao valor atual e segue a política de correção que combina a inflação acumulada de 4,4% em 12 meses até novembro de 2025 com um ganho real limitado de 2,5%, vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024. Embora o PIB tenha crescido 3,4%, a regra fiscal em vigor impõe um teto para o aumento real, com o objetivo de conter despesas obrigatórias do governo.
Na prática, especialistas avaliam que o reajuste garante apenas a reposição parcial do poder de compra, sem avançar de forma significativa na valorização do salário mínimo. O próprio Dieese aponta que, mesmo com aumentos anuais, o piso nacional ainda está distante de assegurar o mínimo necessário para uma vida digna à maioria dos trabalhadores brasileiros.
O debate sobre o valor do salário mínimo volta a ganhar força diante do aumento do custo de vida e da pressão sobre itens básicos, como alimentação e moradia. Entidades sindicais defendem uma política de valorização mais robusta, enquanto o governo argumenta que mudanças mais expressivas dependem do equilíbrio fiscal e do crescimento sustentável da economia.
