O mundo inteiro voltou a olhar para o Brasil e não é por acaso. Em 2025, o país alcançou um feito histórico: cresceu 45% no número de turistas internacionais, o maior avanço já registrado. Os dados são do Barômetro Mundial do Turismo da ONU, divulgado em novembro; e colocam o Brasil no topo do ranking global de crescimento.
Esse salto não é apenas estatística. Ele tem rosto, tem movimento, tem impacto direto na vida real. Ele se traduz em aeroportos cheios, hotéis ocupados, bares movimentados, guias de turismo trabalhando, motoristas rodando, pequenos negócios respirando.
E, sobretudo, em dinheiro circulando: entre janeiro e outubro de 2025, estrangeiros injetaram US$ 6,617 bilhões na economia brasileira, o equivalente a mais de R$ 35 bilhões.
Nunca o turismo internacional teve tanto peso na engrenagem econômica do país.
Mais de 8 milhões de estrangeiros antes de dezembro
Até 24 de novembro de 2025, o Brasil já havia recebido mais de 8 milhões de turistas internacionais. O recorde anterior era de 2024, com 6,8 milhões. Ou seja, o Brasil ultrapassou a maior marca histórica antes mesmo de o ano terminar.
A projeção oficial é ainda mais simbólica: o país deve fechar 2025 com mais de 9 milhões de visitantes estrangeiros. Um número que até poucos anos atrás parecia inalcançável.
“O mundo volta a olhar para o Brasil e agora enxerga a nossa autenticidade, a nossa diversidade e a experiência única que só o nosso povo oferece.”
Marcelo Freixo, presidente da Embratur
O turismo virou motor de crescimento econômico
Quando um estrangeiro pisa no Brasil, ele não consome apenas paisagens. Ele consome transporte, alimentação, hospedagem, cultura, lazer, comércio. Cada passagem comprada, cada diária paga, cada refeição feita gera impostos, renda e empregos.
Segundo os dados oficiais, as receitas do turismo internacional cresceram mais de 12% apenas nos primeiros nove meses de 2025. Em termos de valor absoluto, os US$ 6,617 bilhões já registrados até outubro representam o maior volume desde o início da série histórica, em 1995.
O turismo hoje já disputa espaço com grandes setores exportadores tradicionais. Ele se consolida como uma das matrizes econômicas mais estratégicas do Brasil.
O papel da iniciativa privada e das “prateleiras do turismo”
Para Toni Sando, presidente do Visite São Paulo, o crescimento é resultado de um esforço conjunto entre setor público e iniciativa privada.
“O Brasil ficou um tempo fora das prateleiras do mercado internacional. O que faltava não era atributo, era promoção. Quando você coloca o Brasil na prateleira das operadoras internacionais, os resultados vêm”, afirma.
Essas “prateleiras” são os catálogos das operadoras de turismo pelo mundo, onde destinos competem pela atenção do viajante. Hoje, o Brasil voltou a ocupar esse espaço tanto no turismo de lazer quanto no turismo de negócios, o chamado mercado MICE (eventos, congressos e convenções).
“O turismo de negócios é estratégico porque um congresso de 10 pessoas da organização pode trazer 2 mil, 3 mil participantes para o país”, destaca Toni.
Por que o Brasil explodiu no mapa do turismo mundial?
Esse crescimento não aconteceu por acaso. Ele é resultado direto de uma mudança profunda na forma como o país se apresenta ao mundo. Em março de 2025, a Embratur lançou o Plano Brasis, o primeiro plano estruturado de marketing internacional do turismo brasileiro em mais de 20 anos.
“O Brasil tinha um plano de marketing de 2004. Em 20 anos, tudo mudou: os aeroportos, as cidades, o comportamento do turista, a comunicação. Era impossível continuar sem atualização”, explica Freixo.
O Plano Brasis usa inteligência de dados para definir onde investir, quais mercados atacar, quais destinos promover e em que época do ano. Hoje, a estratégia é científica, não intuitiva.
“Sabemos exatamente quem vem, de onde vem, quando vem, quanto gasta e para onde se distribui no Brasil. Não se faz mais promoção no escuro”, ressalta o presidente da Embratur.
O Brasil que o mundo passou a enxergar
Durante muitos anos, o Brasil foi vendido ao exterior por estereótipos. Um país reduzido a um cartão-postal. Em 2025, essa imagem foi substituída por uma narrativa mais real, mais profunda e mais respeitosa.
A nova campanha internacional da Embratur, “Brasil, It’s a Vibe”, aposta no chamado soft power brasileiro: a cultura e a hospitalidade.
“O Brasil é único, mas não é um só. O que se encontra no Acre não é o que se encontra em Minas nem no Rio Grande do Sul ou na Paraíba. Essa diversidade é o nosso maior ativo.”
Marcelo Freixo, presidente da Embratur
O plano foi construído a partir de um Centro de Inteligência de Dados, que hoje orienta toda a política de promoção internacional. A Embratur passou a trabalhar com base em dados científicos: quem vem, de onde vem, quanto gasta, quando viaja e para onde se desloca dentro do país.
“Hoje não dá mais para ‘achar’. A gente sabe que o argentino não vai para a Amazônia, mas chega a Fortaleza. O chileno foi estimulado e hoje é o segundo maior emissor. Tudo isso é resultado de leitura de dados”, pondera Freixo.
Nordeste, Norte e interior ganham protagonismo no novo turismo
O crescimento não se concentra apenas nas capitais tradicionais. Ele se espalha pelos estados. O Nordeste, por exemplo, cresce acima da média nacional. A criação da Marca Nordeste, dentro da estratégia da Embratur, tem fortalecido a região como um destino integrado.
“O turismo hoje é uma das maiores ferramentas de desenvolvimento regional. Ele gera emprego, renda e transforma realidades locais”, afirma Marina Marinho, presidente do Fornatur. “Mas, ele precisa ser bom primeiro para quem vive no território.”
Segundo ela, o novo ciclo do turismo brasileiro está pautado por uma lógica que valoriza o turismo de base comunitária, o turismo de experiência e o respeito ao meio ambiente.
Argentina lidera, Chile surpreende e EUA seguem fortes
O mapa dos visitantes confirma a nova geografia do turismo no Brasil:
Argentina: quase 3 milhões de turistas em 10 meses
Chile: 661.850 visitantes
Estados Unidos: 614.348
Uruguai: 453.633
Paraguai: 421.886
Esse crescimento mostra que o Brasil voltou às prateleiras das grandes operadoras internacionais.
“Antes faltava promoção. Agora o Brasil está visível. E quando você aparece, o fluxo vem”, frisa Toni Sando.
O Brasil que o turista leva na memória
No fim da experiência, o que o turista leva do Brasil não é apenas uma foto bonita. É emoção, afeto, identidade.
“Um Brasil alegre, colorido, afetivo e que recebe com muita hospitalidade”, descreve Marina Marinho.
Já Freixo resume: “É a experiência do Brasil. Um país com seis biomas, gastronomia diversa, natureza espetacular e um povo acolhedor. Poucos países no mundo oferecem tudo isso.”
O que vem pela frente?
A projeção é ambiciosa: o Brasil deve ultrapassar 9 milhões de turistas em 2025, chegar a 10 milhões em 2026 e continuar crescendo nos próximos anos. O Plano Nacional de Turismo previa 8 milhões apenas em 2027, a meta foi alcançada dois anos antes.
Ver essa foto no Instagram
“Agora é fazer o dever de casa: qualificar o receptivo, integrar políticas públicas, envolver municípios e continuar investindo em infraestrutura”, pontua Freixo.
Para Toni, o céu é o limite. “O turismo é desenvolvimento puro. Gera emprego, renda, movimenta cadeias produtivas e fortalece a economia. O Brasil tem tudo para ser uma das maiores referências do turismo mundial.”
