Churrasco salgado: preço da picanha deve subir em 2026, apontam especialistas

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O tradicional churrasco do brasileiro tende a pesar mais no bolso ao longo de 2026. Pesquisadores ligados ao agronegócio afirmam que cortes bovinos nobres, como picanha, contrafilé e alcatra, devem registrar novas altas de preços no próximo ano, com reajustes estimados entre 10% e 15% no varejo.

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A principal razão para a expectativa de aumento está na chamada virada do ciclo pecuário. Após um período de abates elevados, especialmente de fêmeas em 2024 e 2025, produtores passaram a reter vacas para recomposição do rebanho, o que reduz a quantidade de animais disponíveis para o abate e impacta diretamente a oferta de carne no mercado.

Segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, a combinação entre menor oferta e demanda aquecida tende a pressionar os preços. Ele explica que, além do consumo interno impulsionado pela melhora da renda, o Brasil segue como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, o que direciona parte relevante da produção ao mercado externo.

Reprodução / redes sociais

Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, projeta uma retração de até 7,5% no número de abates em 2026. De acordo com ele, esse cenário deve elevar o valor da arroba do boi gordo, que pode se aproximar de R$ 400 no segundo semestre do ano.

Dados históricos do setor indicam que períodos semelhantes de retenção de rebanho costumam resultar em ciclos prolongados de valorização da carne bovina. Para Thiago Bernardino, pesquisador do Cepea/USP, o movimento de alta deve se estender ao longo de todo o ano, com impacto mais intenso sobre os cortes considerados premium.

A picanha, um dos cortes mais consumidos em churrascos, já apresentou reajustes entre 7% e 9% em alguns momentos de 2025. A tendência, segundo os especialistas, é de continuidade desse movimento em 2026.

Para o consumidor, a expectativa é de migração parcial para proteínas mais baratas, como frango e ovos. Ainda assim, Serigati avalia que, em cenários de renda disponível, a preferência do brasileiro pela carne bovina permanece forte, o que mantém a pressão sobre os preços.

Os pesquisadores são unânimes ao afirmar que não há previsão de queda no curto prazo. A recomposição do rebanho exige tempo, e o próximo ano deve concentrar o auge desse ciclo de preços elevados no mercado de carne bovina no Brasil.

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